Ai a consciência ...



A minha consciência tem milhares de vozes, / E cada voz traz-me milhares de histórias, / E de cada história sou o vilão condenado, William Shaskpeare
O Dr. Alberto João Jardim, escreveu no Facebook isto “Que futuro das populações e descendentes cujas Câmaras não investiram, nem criaram Emprego,o dinheiro foi só para comprar votos? Enganado e conformado, esse povo só prolongou a pobreza!”.

Como não nomeou e olhando para o que escreveu, parece-me que se refere a todas câmaras. De hoje e de ontem. Sejam de outros ou do psd-M. Mas o Dr. Alberto João Jardim tem um problema. Não falou nos GR´s que presidiu e neste que o seu sucessor preside, Miguel Albuquerque (MA). Eu percebo. É o orgulho. Ele pode falar mal daquilo que a CMF de MA fez, mas difícil seria falar no GR de MA, porque logo teríamos de nos lembrar dos seus.

O Dr. AJJ já tem uma proveta idade, já passou por muito, inclusive foi atraiçoado no seu próprio partido por MA, como “o barão” já passeou porcos por Coimbra, já fez “trinta-por-uma-linha”, tem os filhos, netos, talvez também os bisnetos bem encaminhados, já deu mais do que uma volta ao mundo, tem milhas suficientes da TAP para continuar a viajar até ao fim da sua vida, votos que esta seja bastante longa e parece que chegou àquela fase de começar a ver a verdade e escrever uma verdade que sempre negou.

No Facebook a "mão" caiu-lhe para a verdade ?". Parece que sim, afinal parece ter consciência. Custa mas admite.

Vou contar uma história. Verídica. Não vou falar em nomes, porque ... já vão ver, porque. 

Onde fui criado, não onde nasci em Angola,  existia perto uma terra/freguesia que tinha ( e tem)  um grande laboratório de medicamentos. Entretanto o nome mudou. Era a ….. Que foi criada por um grande benemérito da terra, o Dr, ..... Ele estava em todas, no .... Futebol Clube, na Sociedade Recreativa Propaganda de ..... e impulsionou. fundou a Associação dos Bombeiros Voluntários de .......  fundou e dirigiu a Misericórdia de .... e claro, porque saiu no noticiário a nível nacional, fundou uma associação para ajudar crianças vitimas de violência, abusos …..que tem o seu nome. Não existia nada que o Dr.…… não fizesse para o bem da população de .... 

Um dia, num sábado, vi-o a plantar plátanos numa estrada para os lados de .....Ele na carrinha, os miúdos na estrada. Uns a cavar, outros a plantar, outros a regar e outros a levar uns tabefes. Porque o Dt..... era bom, mas gostava de distribuir tabefes. Grandes e pequenos, meninas, meninos, ia tudo a eito. E tinha a mania da tropa. Todos pagavam por um. Mesmo que o um, nada fizesse. 

O certo é que estas estradas ao fim de 30 anos, estão bonitas, com aquelas árvores todas e a sombra que dão. Até os miúdos na Junta fizeram trabalhos. Porque o Dr.....também foi presidente da junta de ......
A única coisa que não respeita a regra da maioria é a consciência de cada um, Lee Harper

O problema  é que esta pessoa benemérita, também era, no final da sua vida uma pessoa quezilenta, que achava que podia fazer tudo o que quisesse, como lhe bem apetecesse. Dos bombeiros saiu e da Misericórdia e da Associação foi obrigado a sair. Mantiveram os seus bustos e estátua. Tem também o nome numa rua, onde estava o laboratório dele, que afinal era a estrada nacional em direcção ao Caramulo.

Na altura, o laboratório que dirigia, também depois com ajuda do genro, tinha uma política de empregabilidade muito interessante. Era o maior empregador do concelho e muitos dos seus empregados eram mulheres, diziam cerca de 70%. Que tinham ordenados baixos e eram contratadas a termo. Tinham os ordenados baixos, mas atenção, podiam ter os filhos no ATL da Misericórdia de que o Dr.... era provedor. Também fazia o laboratório  .... o roulement de quase todos os empregados, sobretudo as mulheres, especialmente a(o)s contratada(o)s a prazo. Estavam empregues uns tempos e quando a(o)s contratada(o)s iam efectivar-se eram dispensada(o)s. E como o Dr..... tinha boas relações com o PSD, porque era PSD e até financiava as campanhas de Cavaco e as do PSD lá no concelho, os subsídios de emprego estavam logo ali. Ele pedia, eles eram dados pelo centro de emprego. Cá nada se verificava. Um pedido, um subsidio para o Dr.....

O Dr...... conseguia ter uma massa de trabalho "escravo" à sua disposição, porque a alternativa era terem de pagar a creche dos filhos e não arranjarem trabalho ( só nos campos e eram pessoas não qualificadas ). Até a politicas com as mulheres grávidas era engraçada. Saiam cerca de 3 meses antes do parto,  ganhavam o subsidio de desemprego, ..... e mais algum que o Dr.... arranjava na segurança social e .... tinham os serviços da Misericórdia para ajudar no que for preciso. Até berços arranjavam lá para casa, berços que pediam aos comerciantes do concelho, da freguesia, aos fornecedores do laboratório, .... E ai daqueles que não dessem.

Não eram precisas máquinas para encher os sacos com... colocar rótulos nos frascos de ... Afinal, aquela mão de obra era "grátis". E foi assim, à vista de todos durante muitissimos anos.  E quem estava assim, de tanto ter estado assim, até agradecia ao Dr...... Até davam nomes aos filhos e ele era o MAIIIOOOOOR padrinho de Portugal, quero crer, tantos eram os miúdos baptizados pelo Sr. prior com o Dr..... como padrinho.

Claro que quem não seguia estas regras ....paciência, nunca havia por isto ou aquilo trabalho no laboratório, ou para a mãe, ou para os filhos (naquela altura muitos "faziam que estudavam).

E isto continuava ….e continuava…e continuava. Já agora o PSD ganhava, ganhava, ganhava…. Porque este benemérito também era do PSD (coincidências, heimmm ?)

O Dr. .... foi Santo ou Demónio ? O que é certo, é que morreu como todos os outros. Arrependido e com má consciência. Mas teve um funeral grande, Muito grande. Demónio para mim, santo  para outros ( cada vez menos, porque cada vez mais sabem que foram espoiados).

Algumas parecenças com esta ilha , com este povo e com estes GR´s? Pois, também me parecia.

Porque é Verão e as más consciências andam por aí. 

The Waterboys - The Whole Of The Moon

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