Forças de Operações Especiais na Madeira


Decorreu no passado domingo, no cais do Funchal, a abertura oficial do Exercício de Forças de Operações Especiais “SOFEC19”, a primeira edição de um exercício que se espera vir a ter continuidade no futuro e que engloba Forças de diversos países e organismos.


Tendo por ponto de partida um cenário de ameaça na ilha do Porto Santo, o exercício tem duas vertentes principais, a de competição entre equipas, através da avaliação da execução de diversos exercícios e a de partilha de experiências e conhecimentos entre os diversos organismos que, sendo todos da área das Operações de Forças Especiais, têm diferentes áreas de maior proficiência e como tal, só têm ganhar com este tipo de partilha operacional.

elemento do GNFOS romeno com a bandeira portuguesa no capacete
Apesar da abertura oficial ter sido no Domingo, a projecção de forças para a Madeira, iniciou-se na passada quinta-feira, através de aparelhos C-295 da Força Aérea Portuguesa.

projecção das forças participantes para a Madeira, na passada quinta-feira. Mais fotos AQUI

Tal como numa situação real, a projecção de forças é feita inicialmente para uma zona relativamente próxima à ameaça mas considerada segura, onde os elementos operacionais possam organizar uma base de preparação para a missão propriamente dita e que será decidida e executada em função do evoluir das situações e após decisão política, tal como sucedido em situações reais, como por exemplo a evacuação dos Portugueses aquando do golpe de estado na Guiné e outras similares…

A infiltração das forças operacionais para a zona de operações propriamente dita (Porto Santo) decorreu esta madrugada, por meios marítimos mas nos dias anteriores, o tempo foi aproveitado para diversos exercícios e competições entre as forças integrantes.

O Gnose teve oportunidade de acompanhar alguns desses exercícios, que decorreram na passada segunda-feira nas ruínas do antigo complexo turístico da Matur e ouvir a opinião de alguns dos elementos.

No exercício participam elementos das Forças de Operações Especiais das Forças Armadas e Forças de Segurança portuguesas (GNR) e de forças estrangeiras do Brasil e França (como observadores), Espanha, Roménia e Timor-Leste e tem como objectivo avaliar e desenvolver a interoperabilidade das Forças de Operações Especiais participantes, em ambiente terrestre, naval e aéreo, em aspectos comuns como o resgate médico, fuga e evasão, extracção e resgate, reconhecimento especial e ação direta.


No decorrer das operações na Matur, pudemos acompanhar exercícios diversos em rappel, incluindo rappel invertido, com entrada pelas janelas da antiga piscina, enquanto que no interior do complexo decorriam treinos de progressão e operação em ambiente urbano, utilizando técnicas específicas.

Nestes casos, em que a equipa em progressão era constituída por elementos de diferentes forças/países, era visível, no final, a troca de impressões e técnicas entre os diferentes membros das equipas, analisando o que tinha corrido menos bem e a forma como as situações eram abordadas nas suas unidades, comparando experiências e modi operandi.

A participação dos elementos do GNFOS (Grupo de Operações de Especiais da Marinha Romena) chamou particularmente à atenção, por ser uma força que habitualmente não participa em exercícios conjuntos com Portugal mas, após uma colaboração em 2016, agora foi a vez dos Romenos virem a Portugal, estando ainda prevista uma outra participação conjunta em exercícios ainda este ano, numa clara intenção de incrementar a troca de experiências entre estas forças, que, tal como referiu o capitão responsável pelo grupo romeno, é benéfica para as forças do seu país pela troca de experiências e conhecimentos com outras forças e lhes permite igualmente partilhar as suas próprias técnicas, já que, como ele frisou, estas forças, estão preparadas para actuar em todo o tipo de terreno mas há sempre conhecimentos importantes a recolher na actuação com as restantes forças.
Capitão das forças romenas, falando à comunicação social
Nesse aspecto, a escolha do arquipélago da Madeira permitiu, sem dúvida, que os exercícios a efectuar cobrisse facilmente uma vasta gama de terrenos e situações numa área bastante pequena.

elemento das forças timorenses iniciando o rappel...
Quanto à participação dos elementos Timorenses, acaba por ser a continuidade da actual colaboração técnico-militar entre os dois países.

Mais do que simples jogos de guerra, estes treinos são fundamentais para o desempenho de missões que, muitas vezes passam completamente despercebidas do grande público (aliás, neste tipo de operações reais, a publicidade e a vinda a público de detalhes é sem dúvida mau sinal), entre as quais se contam missões em teatros tão díspares como o Afeganistão ou a luta anti-droga em alto-mar….
Da próxima vez que for noticiada uma apreensão de droga em alto-mar pela PJ, pense que, muito provavelmente a Marinha e o DAE (Destacamento de Acções Especiais dos Fuzileiros) foram os responsáveis pela execução operacional da mesma…
O patrulha Oceânico P362 - NRP Sines marcou presença na Região pela primeira vez a fim de transportar e acompanhar a progressão da infiltração das forças de operações especiais, na passada madrugada, uma operação que decorreu em condições de mar "pouco amigável"
Entretanto, o exercício prossegue até o próximo dia 31 de Maio, na ilha de Porto Santo, que para efeitos de exercício é considerado território hostil e onde as forças foram infiltradas esta madrugada, por meios navais.
Lá, decorrerão as missões com vista à prossecução dos objectivos definidos e que contarão com a colaboração de outras forças, como por exemplo, os para-quedistas…

Poderão acompanhar o dia-a-dia do exercício através das excelentes imagens fotográficas e vídeo partilhadas, juntamente com informação diversa na página do SOFEC19, AQUI

Poderão aceder a uma galeria mais completa de fotos obtidas aquando do exercício na Matur, no blog Planes&Stuff..., AQUI



Rui Sousa, Madeira Spotters
Blog Planes&Stuff...
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