Porque perdeu Cafôfo?


Quem tem ambição de ser poder e é socialista na Madeira não pode pensar que, orgulhosamente, o seu sorriso, o marketing e a sua surdez valerão para um efeito de arrastamento num povo maioritariamente social-democrata por interesse, habituação ou ideologia. São necessárias razões fortes para interferir na matriz e tivemo-las nestas Regionais.

Uma grande faixa do eleitorado social-democrata, que designo por "antigos", topam de longe um bom líder. Este deve ser "duro" na busca de brechas no seu adversário (Cafôfo teve um escaqueirado) e deve fazer prova pública de que o seu adversário tem argumentos inferiores. O bom argumento é a forma mais económica e fiável de se ter sucesso na política.

A campanha eleitoral é uma prova de competência e uma avaliação de 4 anos de governação. Não ganhar estes dois combates significa inibir a sedução. A partir daqui, o eleitorado julga ser melhor se deixar pelo que conhece, mesmo que péssimo, porque não há diferenciação, é o chamado "o nosso" nos social-democratas. Cafôfo nunca percebeu a energia adicional necessária para virar muitos social-democratas a seu favor numas Regionais.

É errado não saciar o desejo do eleitorado com a exposição dos erros da Governação, a opção por um percurso paralelo aliviou o oponente de se preocupar com o seu principal calcanhar de Aquiles e permitiu construir narrativas falaciosas para além das auto-avaliações absurdas. Chegamos ao ponto, de quem não tinha água para se lavar, colocar a suspeição sobre aquele que nunca Governou e que seria, à partida, mais idóneo quando do outro lado já sabemos de tudo.

No âmbito do parágrafo anterior, é de irresponsável se deixar criar uma narrativa onde a esquerda na Madeira é igual a da Venezuela de Maduro à luz de uma "ditadura". Uma parte do eleitorado das Regionais nem na "Europa" estava, uma transmissão de alucinação. Cafôfo permitiu a instalação do ambiente da Venezuela na Madeira e que muitos votassem nas Regionais com isso presente.

Não é perdoável nem abona para o futuro, o desperdício da conjuntura Regional e Nacional mais favorável de sempre e, obter o segundo lugar, quando se deveria ter lutado por uma Maioria Absoluta do PS na Madeira. Se isto soar a absurdo é que são mesmo inaptos.

A falta de combate político; a falta de atenção aos social-democratas; a narrativa do PSD-M com os luso-descendentes; a falta de máquina e organização para ataque nos concelhos tradicionalmente PSD-M e a falha em concelhos seus; as fracas margens das vitórias nas urbanidades; o canibalizar o voto útil na esquerda e não na direita moderada (deixada à mercê do PSD-M), trouxeram a derrota. O que aconteceu aos que não quiseram responder nas sondagens perante a diminuição da abstenção? O PS-M destruiu mais a esquerda com quem se poderia coligar do que a direita, adversário directo. PSD e CDS tanto poderão morrer abraçados como dar a volta por cima, ganharam pelo menos 4 anos por força da rédea curta. Só graves ocorrências poderão destruir esta nova realidade. O poder une.

O silêncio, o Reiki, o alheamento da realidade, o céu na Terra por tópicos frágeis e com falta de fundamento, o caminho paralelo é, se calhar, do foro esotérico. Estávamos numa campanha eleitoral! Mata, mata, se correr o bicho pega, se ficar o bico come. Era preciso sujar as mãos depois de 43 anos a acumular, era uma emergência regional. Foi um fia-te na Virgem e não corras ...


Quando um eleitorado está ávido por mudança e o principal candidato da oposição acarinha o sistema e a praxis é fatal, por facto ou suspeição, afugenta o tal eleitorado social-democrata calejado. Por esta razão a mensagem de "coragem para a mudança" não funcionou, é preciso mais do que slogans, cada vez mais queremos actos. Era aí que quebrava a fidelidade. Igual por igual o eleitorado deixa-se ficar. Cafôfo foi conivente ou proteccionista ao não falar dos DDT que minam a sociedade, mostrou que prefere estar a bem com eles do que seduzir o eleitorado que detém o voto. E, nada disto significa que se quer perseguir, simplesmente moderar (é o papel da Governação) a ambição dos que estão a destruir o interesse colectivo e o futuro da Madeira.

Cafôfo aborreceu muitos dos social-democratas que nele votaram no passado pela sua surdez em questões fundamentais, pela péssima gestão política que nunca entendeu o terreno que pisava, assente em gente que pensa que um modelo de campanha do continente vai ter sucesso aqui. Cafôfo nunca quis entender e esmiuçar as componentes das suas vitórias no passado e saber como replicar nas Regionais, sendo estas um caso à parte de dependência e interdependência de muitos.

Cafôfo não alcança(ou) os soberbos conselhos da experiência política regional para se apoiar em fogachos insuflados que não ouvem. Não conhece a sociedade civil para identificar as mais valias, quando é um independente, fica-se pelo partidário e pelo corporativista ... por ventura a "fome" empurrou. Os que conquistam votos não entram no jogo de berrar mais ou de se fazer ao piso. Cafôfo não conhece o adversário, não sabe onde ferir de morte, nunca durante as desavenças partidárias soube cativar quadros idóneos do PSD-M para esvaziar e descredibilizar o adversário. Na única vez que atraiu um quadro, descredibilizou-se com a "pesca" efectuada".

Os erros efectuados, depois de muitos avisos e que só a derrota trouxe alguma humildade para uma análise, não serão perdoados. Cafôfo terá a indiferença daquela margem que concede a vitória, é a devolução na mesma moeda. As forças terão novas oportunidades na Governação que passou in-extremis e que terá que perder a sua arrogância e presunção. O stress ainda não acabou, há outros que não perdoam no PSD-M. Por isso há espaço para outra solução de combate ao PSD-M, insistir em meio sucesso numa conjuntura perfeita terá cada vez menos hipótese e mais anti-corpos. Domingo pode reavivar ...

A imagem está feita e Cafôfo teve a sua máxima benevolência em 2019 tal como Albuquerque teve em 2015 ... incrível foi não ganhar. Se Costa tinha disto no continente era um pitéu, ele sabe ser "social-democrata", só não domina os medíocres do seu partido que minam a estratégia lá ... tal como cá.

A partir de agora, ou terceira via ou emigração por descrédito e Cafôfo já está na equação errante. Não fora o Brexit iminente e as próximas campanhas eleitorais seriam na integra em Londres.

A CMF, o bastião, vai pelos mesmos caminhos ... Os dois maiores problemas do PS-M é a presunção e a surdez.

Há mais mas ficaria extenso, ... e alguém liga? Só lêem títulos, falam de cor e pressupõem muito. Não estou a fazer prognósticos no fim do jogo, é a conclusão de muita dica ao longo dos tempos. Estou maçado de mediocridade, necessitamos de quadros políticos para uma linguagem política mais evoluída, que sejam exemplo e sejam confiáveis, um cabeça de lista sem tralha. Descemos às catacumbas e isso afugenta a boa semente.


Share on Google Plus

0 comentários:

Enviar um comentário

Pedimos que seja educado e responsável no seu comentário. Está sujeito a moderação.