Consequências do Povo Superior


Quando ouço "Povo Superior" desgosto porque penso na Herrenrasse (já que estamos na semana do alemão), a raça que pretende afirmar-se como superior e que naturalmente terá que depreciar os outros. Assim é no nosso contexto.

Nos dias de extremismos que vivemos, fruto de injustiças e da incapacidade de lidar com elas, acho especialmente perigoso entrar por aí quando estamos com a nossa primeira experiência de sentir que, à nossa volta, não se fala português e, quem chega cai no comodismo de não se adaptar à língua e à cultura, querendo estabelecer os erros que os fizeram fugir de outras paragens, só para se sentirem em casa, ou pelo menos que, apesar da deslocação, se mantenham na zona de conforto.

Vivemos o que outros já viveram e podemos absorver experiência. A sã convivência reside na adaptação e no respeito de todos, nunca em alguma reminiscência da teoria racial do século XIX que se reporta na actualidade a uma secreta ideia fixa, nunca verbalizada, mas onde pontificam raças superiores, quase puras, que podem acusar as outras de pertencer a algum tipo de hierarquia racial onde se impõe algum tipo de “higiene”. Ela situa-se na expressão "os nossos".

A designação de Povo Superior foi criada para incutir auto-estima e a emancipação do Povo Madeirense em relação a um certo acanhamento de que os outros se aproveitavam. Na altura resolveu mas depois embruteceu. Passadas duas gerações, é uma calamidade regional por ter aniquilado a humildade que permite receber o conhecimento. Passou a vigorar a arrogância, a presunção, a insolência, o laxismo convencido, o chico-espertismo, o narcisismo, o oportunismo, o egocentrismo, a prepotência, a petulância, o descaramento, a desfaçatez, o desrespeito espacial, a cultura do ruído, o mercado de "compra e venda" de gente com o perigo de extinção dos valores e do mérito. Tudo isto não é de povo superior, esse sem conotação sectária, nos antípodas do que martela a mentira conveniente até que se molde em verdade abusiva que atenta a inteligência. Ai Herman José como me apetece cantar ... "vou comprar um dicionário que só tenha nomes feios para eu te chamar todos ..."

O Povo Superior, em posse do poder, está determinado em possuir estatuto e rendimentos, no parecer ou ter em vez do ser. Por isso se luta tanto por tachos de forma selvática e fora das regras. Assim se dissemina uma forma de estar, que passa a exemplo, às gerações que estão a construir personalidade e a estabilizar na vida. É a fórmula de sucesso exclusivamente regional de quem tem poder ou está próximo dele. Claro que existe noutras paragens mas não nestas proporções, na quase totalidade das oportunidades.

Este esquema vai trazer-nos a desgraça, já a trouxe a outros povos que sem respeito pelos restantes estavam determinados em ser "Superiores", simplesmente porque anulam a dinâmica da selecção natural que coloca os melhores nos lugares certos. Não temos uma pirâmide, tão só predadores, aves de rapina e parasitas a um mesmo nível. Se fosse um exército, teria apenas generais porque nada mais é respeitável. Por isso não se executa nem se alcança. Gigantes com pés de barro. O Povo Superior aniquila a biodiversidade, é como "selva" sem outros bichinhos para uns se comerem aos outros mas também haver simbiose num win-win.

Com tantos generais, nasce a ideia de higiene "racial" aplicada na fórmula de um adversário é um inimigo. Uma opinião ou ideia contrária gera ódio. Só contam os da seita perfeita que requer a higiene “racial” através da perseguição e abate. Ficam tão entretidos no poder que não governam e não satisfazem quem os elegeu e quando estes se manifestam, por eles, metiam-nos todos num campo de concentração em vez de se corrigirem. E insistem. Vai ser mau, vai ser péssimo. Um objectivo pauta-se por ser alcançável até por sociedades fictícias de perfis falsos que querem moldar os pensamentos. Qualquer meio serve à trafulhice, se não é, anda perto, de se chamar maquiavelismo.

Crédito: imagem parcial de um meme da revista D7 do DN
Enquanto isso, soube que um amigo foi ao hospital e confirmou o que os anteriores utentes dizem. O pessoal hospitalar é excelente e dedicado mas não há utensílios, consumíveis, medicamentos, improvisa-se muito, a comida é escassa e não há assistência básica quando se passam horas à espera para que a consulta se finalize porque é necessário exames, aguardar por especialistas, ver a reacção aos tratamentos, etc.

Enquanto isso, ontem o comandante do Queen Elizabeth fez mais um report negativo ao grupo Carnival sobre o Porto do Funchal. É inseguro e coloca os navios em risco, facto já informado pelas seguradoras que podem ter palavra a dizer sobre as escalas. Convém estar coberto pelo seguro ... cada um que interprete.  O comandante teve que mudar o navio de cais porque a ondulação provocada pelo Cais 8 inibe a utilização da extremidade exterior da Pontinha (a primeira posição à entrada), onde inicialmente estava. Mudou após vários cabos partidos e ter mantido as máquinas ligadas para ter resposta caso o pior sucedesse, o navio ficar à deriva.

Enquanto isso, o Rally Vinho Madeira desceu à “terceira divisão” do automobilismo e há um silêncio sepulcral sobre isto. De tão bons e superiores só produzem ruína.

Enquanto isso, continuamos a ver desqualificados a preencher os quadros da Função Pública de forma suspeita e em busca do melhor ordenado, sem vocação. Eles irão fazer currículos, terão as suas ambientações pagas (estágios), seus cursos e doutoramentos também, terão cada vez mais acesso ao que conta em novos concursos ... só com uma prevaricação

Enquanto isso, vemos as injustiças que são praticadas com a justa ajuda a quem se refugia na nossa terra mas que prova o quão mal apoiados foram os de cá nos momentos agudos da crise das dívidas, soberana e regional. Só porque são um filão de votos.

Enquanto isso, vemos que o Turismo não domina nada, os contratos, as iluminações, as feiras internacionais de turismo, as companhias áreas (sobretudo as que desistem) e ainda um ou outro caso que incrementam voos para colmatar falências mas que nem se dão conta para publicitar naquela típica ânsia de provar o contrário.

Enquanto isso, vemos uma democracia doente porque os seus actores pensam mais em si do que no povo a que deveriam servir, comprados, na maioria pelo poder económico; as instituições desacreditadas novamente pelo controlo do poder económico e político; a justiça no abismo do descrédito; os reguladores a tomarem partido; as opções políticas na falência ideológica e na idoneidade.

Do Povo Superior vai nascer o populismo e extremismo que sempre ocorre com o povo farto. Não se deixe embrutecer, ligue-se à Gnose, o povo comum tem que acordar deste Povo Superior de sucesso em jogo viciado que, na hora da verdade, falha sempre.
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