A liberdade de fazer o que apetece

1. Todas as liberdades são muito importantes e devemos fazer tudo para protegê-las, as defender e as promover. Mas nenhuma liberdade sem limites deixa de ser perigosa. Por exemplo, a liberdade de expressão é uma liberdade fundamental, quer individualmente quer coletivamente, não a defender e proteger ou deixar de promovê-la significa que estamos no caminho seguro para a opressão, a mentira, a ditadura…

2. Neste sentido, ficamos absortos quando vemos pessoas que defendem e praticam o insulto, a calúnia e a maledicência ao abrigo da soberba que há um direito que lhes confere tais manifestações. É intolerável quando a liberdade de expressão serve para humilhar, desprezar, rebaixar e deitar abaixo só porque sim, o trabalho dos outros. Quando vemos uma porção de povo que acha que pode navegar nessas águas, ficamos escandalizados e logo entendemos que a falta de instrução ou o conhecimento é atrevido e produz o pior que há na humanidade. Mesmo sendo intolerável, em parte até se justifica quando acontece isto nestes meios.

3. No entanto, quando vemos pessoas instruídas e imbuídas de uma missão em prol do bem comum com comportamentos que humilham, menosprezam ou rebaixam o trabalho dos adversários deve causar em nós uma séria repulsa e escândalo muito maior. A liberdade de expressão sai muito maltratar por aqui. Não é possível que nos deparemos todos os dias, quando se reúne aquela «casa de democracia» na ilha da Madeira e tenhamos que levar com os discursos insultuosos, uma algazarra geral quando usa da palavra um dos parceiros, atitudes de má criação com bocas de baixo nível e ainda agora pegar em papeis com propostas de um grupo parlamentar e rasgar ali diante dos olhos de toda a gente. 

4. A tal dita «casa da democracia» é o lugar certo para discordar dos parceiros, o lugar ideal para criticar as propostas, as intervenções e o espaço onde cabem todas as propostas mesmo que sejam as mais disparatadas do mundo. A nenhum deputado lhe assiste o direito de rasgar ali descaradamente com arrogância aquilo que veio dos adversários. Não lhe assiste o direito de insultar, não lhe a assiste o direito de provocar algazarra para que seja desvalorizado ou não escutado convenientemente o que diz quem não é da sua mesma cor política. Não lhe assiste o direito de mostrar que não sabe que veio para ali representar pessoas que lhe confiaram a tutela dos seus destinos. Deve saber que está a ser escutado e visto não apenas por aqueles que ali estão presentes, mas que há cidadãos que observam, exigem o melhor dos debates, as assertivas palavras e as propostas que facilitem a vida de todos.

5. A liberdade de expressão é um bem, pertence a todos. Mas a consciência dos limites deve estar bem presente na mente de quem se chega à frente para exprimir-se seja sobre que assunto for. Não é liberdade de expressão a má criação, o insulto e a maledicência. A liberdade de expressão denuncia o que anda mal, aponta novos horizontes, promove a paz, reclama a justiça e ilumina os caminhos onde há trevas. Pouco ou nada se importa.

6. Por isso, a «casa da democracia» não é uma sala de aulas nem muito menos a «casa de um big brother» ou «casa de segredos» para dar azo ao voyeurismo de espetadores. A «casa da democracia» é casa do povo, a casa dos eleitos, dali esperamos comportamentos que sejam de gente responsável, madura e verdadeiramente consciente da missão que lhe foi confiada. Parece que alguns deputados que temos hoje, pensam que estão numa sala de aula e que por isso podem continuar com as traquinices infantis ou com a rebeldia que a escola que temos ainda permite. Contra os maus exemplos marchar e pela verdadeira liberdade de expressão morrer se for necessário.
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