O ego mata



A Madeira muito barafusta por dinheiro é aquela que, em 35 anos de subsídios da União Europeia, não conseguiu retirar a sua população da pobreza, no entanto, conseguiu fazer poucos ricos que compram toda a Madeira, com o dinheiro dos favorecimentos, e castiga o colectivo com os seus negócios e a anulação da pluralidade.

A Madeira que tanto barafusta por dinheiro é aquela que só pelo lockdown completo evitou que se consubstanciasse a realidade da nossa Saúde Pública, assente na mentira, no tachismo e a política metida onde não deve. A Saúde não foi prioritária na Região, tal como os lares também já estão aprisionados em esquemas. Aliás, na Madeira, tudo só anda e mexe se for do interesse de alguém do poder político ou económico do regime. Não há liberdade, há confinamento, até ali podes ir ...não mais, o resto é reservado à distinta elite, condição que açambarca a oportunidade, a inteligência e o estatuto de vencedor na impunidade.

A Madeira que tanto barafusta por dinheiro nunca constituiu um Fundo de Emergência na Autonomia, para ser auto-suficiente e corresponder no imediato e, por algum tempo, por meios próprios, antes de pedir socorro. Não aprendemos nada com outras catástrofes e ainda dizemos aos outros precavidos para dispensarem a sua faceta de formiga à cigarra. A Madeira é como um navio de cruzeiro sem baleeiras para o salvamento. Chapa ganha, chapa gasta, alucinada na riqueza imediata de alguns e quem vier a seguir que se amanhe ou feche a porta. Nunca houve alternância e é curioso que a avidez é tanta que o partido do poder inquina o seu próprio mandato seguinte. Vivemos as contingências de uma falência por consumo até da riqueza das gerações vindouras.

A Madeira que tanto barafusta por dinheiro mostra ao que vai e continua a não elevar a cultura, o conhecimento, o debate de ideias e a conquista de novos mundos, até no pensamento, quando foi o primeiro pouso das Descobertas. Modernos no possuir e consumir mas ultrapassados por 500 anos de ensinamentos da história. Quem se abriu venceu, quem se isolou ...morreu. Incute o medo para conservar a era dourada de alguns que acabou, vivemos prisioneiros do passado, de gentes, dívidas, estratagemas e política. Cristalizamos no medo e vamos morrer, crise após crise, com os mesmos a produzir a filharada da abastança e em consanguinidade até condenar a demografia ou o poder financeiro comprar por atacado.

A Madeira, que tanto barafusta por dinheiro quer ganhar, gritando que abateu com uma esmola a dívida, mantendo a práxis corrupta. Uma atitude de sobranceria pueril suficiente para consumo interno mas idiota para o consumo externo. Votar nos mesmos e não se indignar por medo traduz-se em cumplicidade para quem vê de fora! Lavar a cara não chega, precisamos de outros rostos.

A Madeira que tanto barafusta por dinheiro encontra, no desenho de quadros de manipulação do pensamento colectivo, a solução para encostar a República à parede, omitindo as suas culpas e fazendo crer que contas certas é encaminhar o ORAM para os imensos interesses, que não são do colectivo mas, que sustentam famílias, empresas e negociatas de regime num artificialismo que, chegada a crise, quer todos os apoios para voltar a deixar os “outros” “à fome”, sempre os mesmos. De um lado e outro. Fome aliás, a nova descoberta argumentativa de um poder nojento que, perdido, já manipula a condição de miséria, sua conquista por falta da distribuição da riqueza regional para o bem-estar colectivo. Depois da caridadezinha, o subdesenvolvimento humano é abusado pelos ardilosos que não querem perder o poleiro na capoeira que canta de galo …desde 1978.
Quem se deixa levar por medíocres é medíocre. Passada a experiência, se fixa no orgulho, deve ficar apeado evitando perda de tempo.

A Madeira, que tanto barafusta por dinheiro continua a desonestidade intelectual e propõe ao colectivo a perda de imprescindíveis com que ainda contam para socorrer emergências do regime. Até parece uma vingança, de alguém que vê o seu jogo virado do avesso e que já não funciona, tendo o instinto patológico de criar uma represália sobre aqueles que nunca foram alvo sincero da sua governação e que, no momento, se tornam saco de boxe para aliviar o stress e a frustração. É doentio castigar os fracos quando os mais fortes deixaram de ouvir e reagir. Afinal há Constituição, hierarquia, República e Autonomia, decência e diplomacia, o que há é uma quantidade de javardos que criam uma neo-política assente na mediocridade.

A Renovação é uma erupção vulcânica no meio do oceano, turbulenta num espaço confinado que o mar cobre. Vai solidificar, cristalizar, pensar em si e deixar mais pobres, isolamento e dívidas. A culpa não é de mais ninguém! Nunca governaram para deixar um mandato seguinte mais saudável, tão só para usufruir o máximo do hoje e do eu.

Se ainda não perceberam, a Madeira está a ser do desinteresse de muita gente. Esta proliferação de pequenos egos a funcionar em rede é uma dispersão de força motriz, são grãos de areia que apenas uma onda do tal oceano desvanece. Quem não merece atenção e é marginalizado pelo que diz vai embora. Vamos ver se a ilha produz mais do que erupções vulcânicas ou cutâneas, a malta está farta de foguetório e pus.

A Madeira está com um ambiente senil, uma mistura de interesses e surdos mudos, a esbracejar sem sentido e nunca chegará a linguagem gestual. Cheia de individualismos e egos que se perdem sem força motriz. Na Madeira, desaprenderam a trabalhar em equipa para ter uma palavra mais forte porque todos acham que alguém vai dar o golpe. Estão a ver a dimensão da Autonomia não conquistada e ainda querem retalhar mais um bocadinho para cada um ter um palco. ... há mais mundo, não precisamos de passar por isto!

Este Governo Regional não tem diplomacia, carácter e argumentos. Está convertido ao caciquismo. Veio o empréstimo, ficou a atitude e a "Madeira" não verá resultados.

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