Turismo: trabalho desfocado desmoraliza


Estamos na Primavera e muita gente sonha com o Verão. No entanto, não tenham grandes expectativas porque o Turismo está perdido para o ano de 2020, é o que se vê aqui e ali com cada vez mais adiamentos em tudo o que implique concentração de pessoas.

Esta realidade é péssima para a Madeira, antevendo-se uma crise dura. A IATA fez um inquérito aos passageiros do transporte aéreo e detectou que fazem a intenção de deixar passar 6 meses, pelo menos, até se sentirem seguros para viajar. Presume-se que somente a partir de um momento em que o vírus esteja dominado. Significa que as companhias, arrancando antes, terão um grande desafio para aliciar os clientes e colmatar a sua falta. Desde logo, a necessidade de introduzir medidas de distanciamento físico nos aviões. A anulação da venda de assentos, para garantir o confinamento a distâncias seguras, significa tarifas mais caras ou voos sem lucro para manter os preços aliciantes. Com a tradição de preços nas tarifas que temos para a Madeira, nem sei o que pensar. É previsível que a aviação arranque com voos regionais, curtos, por motivos empresariais ou familiares e serão reduzidos, pelo medo e porque as novas tecnologias criaram uma nova realidade que poupa dinheiro com as teleconferências. Ninguém vai arriscar até ter confiança.

As Canárias não querem turismo até Setembro. Em relação às Baleares, correm rumores de que só se dinamiza o turismo para o ano. Quanto a cruzeiros, a coisa está negra, não só pelo número de pessoas que se juntam (apesar da maior possibilidade de realizar um confinamento a bordo) mas pela imagem que deixaram e as garantias que não temos em realizar as escalas previstas, que nos levaram a escolher este ou aquele itinerário ou navio. Cada porto é "soberano" e avalia a sua condição e a do navio.

As medidas que se tomam na Madeira acabam por ter uma influência simbólica de aptidão, ela submete-se à visão macro de rentabilidade e dos desafios da aviação/ operadores turísticos que ditarão o arranque ou não e onde. Não me parece que aviões meio cheios ou meio vazios, em benefício do confinamento, num aeroporto com mau cadastro para perdas na aviação, venha a ser das primeiras apostas, quando estão a ser financiadas por Governos para sobreviverem. É claro que, se os outros estiverem fechados e nós abertos, é uma oportunidade mas também um risco que não aguardou pela certeza do controlo do vírus. Seria um contra-senso perante a reacção intempestiva do "fechem o aeroporto". O Covid-19 já andava na Europa em Janeiro e ninguém fazia ideia. A probabilidade de segundos e terceiros surtos é altamente plausível porque até os infectados não se tornam imunes e têm recaídas.

É preferível trabalhar na realidade do que incentivar com "fé", ilusões e mentiras. Trabalho desfocado desmoraliza! Só a vacina ou um tratamento eficaz trará a tranquilidade para que a economia seja trabalhada, sobretudo nas viagens e no turismo.
Temos um longo caminho a percorrer" OMS
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