Governar para agora e depois


No dia do pai, penso na mãe de todas as dificuldades, com um exemplo de como a derrocada económica se concretiza num instante.

Temo que a aflição do surto epidémico do Corona Vírus, com a desorientação por demasiada política e acusações, e ainda erros de estratégia por falta de experiência, não permita que muitos madeirenses tenham lucidez e alcance sobre as consequências do que têm pedido por má orientação.

Sou pela vida e a prioridade no combate ao vírus mas isso não implica deixar de assessorar as iniciativas que vão atenuar a crise económica inevitável que poderá matar mais do que o vírus.

Estamos em ciclos pegados de crises, por culpas próprias e alheias, que nunca permitem uma estabilidade nas famílias, para que possam prosperar, em vez de lutar pela sobrevivência. Quando começarem a sofrer com o prolongamento indefinido (estimado em dois meses de paragem) por sucessivos adiamentos e constatarem que afectarão rendimentos, empregos e empresas vão começar a perceber muitos erros que se cometem a quente e os excessos linguísticos sem fundamento que atiram alguns para outros.

O António Costa tem sido contestado mas sabe o que está a fazer com calma. O "day after" conta. É preciso equilíbrio na forma como se decide, atender à saúde mas não deixar morrer a economia. Vou dar um exemplo.

O Corona Vírus está a acertar na época mais bela da Holanda e a dizimar a melhor época para sua produção de flores porque coincide com vários "Dia da Mãe" em diversos países. Um só dia de exportação de flores na Holanda é algo colossal, 30 milhões de plantas e flores diárias, no valor de 8,8 milhões de euros. É um valor que, a cada dia destes do Corona Vírus, serve de adubo. Na última sexta-feira, 20% da oferta teve de ser destruída porque não havia compradores ou garantia de transporte aéreo. As previsões para as próximas semanas são ainda piores.

A indústria da floricultura holandesa emprega 150.000 pessoas e representa cerca de 35% das exportações mundiais de flores e plantas, no valor de 6,2 biliões de euros por ano, é o maior exportador mundial e, como sabem, são segundos no que respeita a hortícolas, competindo com os Estados Unidos na frente.

Na mesma sexta-feira, o mundialmente famoso parque de flores Keukenhof, uma das principais atracções turísticas da Holanda, que recebe um milhão de visitantes com 3 meses de abertura anual, anunciou que não abriria até pelo menos abril, devido às grandes aglomerações de turistas que gera. A natureza segue o seu ritmo e o esplendor anual perde-se.

A Holanda vai quebrar neste ano uma longa tradição de fornecer as flores para Missa da Páscoa do Papa devido ao surto de Corona Vírus. Nos últimos 35 anos, a Praça de São Pedro, no Vaticano, foi decorada com tulipas, narcisos, rosas ou orquídeas doadas pela Holanda, país protestante mas aberto. Perante todas as contingências e em consulta com todas as partes envolvidas, foi decidido cancelar as decorações florais da Praça de São Pedro para este ano, por razões óbvias no país europeu mais atingido pelo Corona Vírus.

















O Corona Vírus pode não atingir como doença mas pode levar pessoas à loucura com o chamado fogo amigo na "guerra" ao Corona Vírus. Estivemos a falar de um país rico, transparente, imaginemos o que pode acontecer numa ilha sofrível de muitos segredos?

Acho que as pessoas não sabem o alcance do que pedem, isolamento completo, porque não têm outras experiências para ter equilíbrio na avaliação e, concentram-se só na Saúde. Também acho que é prioritário o combate ao Corona Vírus mas não se salvem da pandemia para se meterem na fome. Quem está a ver algo mais e se mete nesta histeria louca é hostilizado apesar de saber o que diz, muito mais do que António Costa.

Acalmem-se, raciocinem, ponderem, respeitem, a calma permite pensar mais além. É neste tempo que se cometem erros que vão marcar, quiçá, os anos vindouros. Pode haver forte arrependimento quando os outros reagirem na mesma moeda.

E afinal o que são as fotos? É produção não vendida no Flora Holland, o principal leiloeiro de flores do mundo, porque o Corona Vírus inibiu canais de transporte e comemorações naquela sexta-feira. A Madeira não vai engatar a prosperar mal acabe a epidemia. Os outros também sofrem. Sejam ponderados, não agridam. A Madeira tem a maldita mania de agredir toda gente em pose de superioridade e está a cansar, o que leva a ser a última atendida.

Controlem as pessoas, voos, origens, proíbam caso a caso mas, não fechem os aeroportos, a Madeira ficará marcada.

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