É da natureza


Assim que se aborda uma realidade ou se diz uma verdade com rosto, as pessoas fecham-se em copas. Preferem não melindrar os prevaricadores do que permitir a instituição da verdade, é por isso que a Madeira é uma terra por caminhos errantes. Por esta razão, esta injustiça, tantos desistiram de participar na cidadania activa, são abstencionistas em sentido lato e não há um movimento de esperança. Afinal falam, falam, falam ... ou nem sequer isso. Já chegamos ao conforto de alguns fazerem tudo às claras porque contam com o acanhamento pelo medo, assim chegamos ao estado primário da impunidade, sob várias formas, com a protecção da sociedade. Exactamente a que recrimina se os ditos cujos forem denunciados na terceira pessoa. A covardia na hora de dar mérito alimenta a mediocridade, é fugir do virtuosismo e beneficiar o infractor, é ser cúmplice e promotor do estado errante. Mais depressa alguém é comparsa participando na promoção de um medíocre do que enfrenta e é justo, fazendo lembrar quem é verdadeiramente o melhor para cada lugar. A matilha cresce.
Os números da pobreza continuam a engrossar e mesmo sentindo que estão maniatados por arbitrariedade, dualismo, autoritarismo, opressão, prepotência, despotismo, tirania, autocracia, contratos e concursos blindados, oligopólios, cleptocracia e cesarismo numa ilha privada, não saem do erro. Num colapso, qualquer que seja, ninguém virá em auxílio porque, a cada momento, vemos a falta de coragem para mudar. Se assim querem, assim terão. Está assimilado que é isto que os madeirenses querem. A cada momento optaram em consciência e ao fim de tanta década não se poderá sugerir erro ou falha com tanto tempo para ponderar. Em especial quando atingirmos 8 anos de Renovação com tanto descaramento. Quem está mal, muda-se. Expressão muito usada na Madeira e que muita coisa justifica, triste é no fim se chegar ao estar mal e não poder mudar, por pobreza de espírito e de dignidade que gera a pobreza sem dinheiro. Os líderes impõem uma cultura de povo superior que embrutece e dão um exemplo de sucesso que, em sítio algum, deu certo ao longo da história universal. Não há um país que seja de verdadeiro sucesso sem que respeite a lei, as regras, a ordem e que tenha decidido com sentido de justiça e mérito. País de sucesso é aquele que cresce homogéneo. A permissividade e o medo do estado errante torna os países (regiões) ingovernáveis. O povo que pode foge para países de sucesso. Aqui começa uma grande questão que nada tem a ver com xenofobia. Porque vão os países que optaram por uma maior componente de virtuosismo (e isso dói e cria exigência) receber, de todos os lados, gente que não teve coragem de meter mãos a endireitar os seus países? Eles percebem (a população nativa dos destinos de acolhimento) que estão a massificar nos seus países os comportamentos desviantes, que se vão somando, até instituir uma maioria que estabelece o padrão dos países de onde fugiram. A natureza das pessoas é a mesma do escorpião que jura a pés juntos à tartaruga que o transporta para atravessar o rio. Há por aí "escorpiões" que na hora do infortúnio (consumado por ficarem de fora da máfia no bom sentido) aproximam-se dos valorosos para obter apoio, conforto e esperança mas, a primeira coisa que fazem ao saberem que voltam a estar seguros (na máfia no bom sentido) é negar como Judas, virar as costas e sorrir para aqueles que já lhes fizeram mal. Estes não passam de acobardados num momento de fraqueza que voltam a ser predadores. No fim, mesmo no fim de tudo, quando estiver mesmo tudo mau e depenado, não virá mão de ajuda de fora porque estão todos a assistir, ano após ano, década após década, o consumar e cimentar de tudo, se o povo permite é que o povo quer, deverá assumir as opções e as consequências. O que sim virá de fora é o cobrar da Governação que aqui se leva. De tão displicente e medonha, vai ser como as cerejas, descoberta após descoberta para cobrar. Aos contribuintes da Europa também lhes custa pagar. Sentirem-se gozados por eleitores e contribuintes daqui permitirem a máfia no bom sentido é imperdoável. Vem aí tempo mais exigente e isto vai dar tudo errado.

A Tartaruga e o Escorpião
O Escorpião estava querendo atravessar um rio, mas não sabia nadar. Ele ficou ali horas e horas procurando uma ponte, um galho de árvore, qualquer coisa que ele pudesse usar para atravessar o rio. Mas não tinha nada; nenhum barquinho, nenhuma canoa. Então, ele viu ao lado uma tartaruga e se aproximou dela.
Quando a tartaruga viu o escorpião chegando com aquela cauda levantada e os ferrões preparados, a tartaruga se recolheu. O Escorpião lhe disse, “Não tenha medo, dona Tartaruga. Eu só gostaria de conversar um pouquinho com a senhora. Será que a senhora poderia vir aqui fora? A Tartaruga respondeu, “De jeito algum. Você é uma criatura traiçoeira. Se eu for até aí, você vai aplicar o seu ferrão em mim. E o seu veneno é suficientemente forte para matar até um elefante”. E o Escorpião respondeu, “Não, dona Tartaruga. Não me leve a mal, eu sei que eu tenho uma péssima fama, mas eu preciso de um grande favor. Eu tenho que atravessar esse rio, mas eu não sei nadar. Eu sei que a senhora nada muito bem; vai de lá, vem pra cá...Assim, se a senhora pudesse me fazer esta gentileza, eu subiria no seu casco, a senhora atravessaria o rio e me deixaria na outra margem”.
A Tartaruga, que tem centenas de anos de vida e não é boba, disse, “Escorpião, você pensa que eu nasci ontem? Eu tenho certeza que se eu colocar a minha cabeça para fora, se eu te fizer este favor, você vai me aplicar o seu ferrão e me matar”. O próprio Escorpião disse, “Que isso, que idéia a senhora está fazendo de mim! Eu preciso somente de um favor. Se eu te aplicar o ferrão, eu estarei aplicando este ferrão contra mim mesmo porque se a senhora morrer, eu também morrerei. Se a senhora se afogar no rio, eu também me afogarei porque eu não sei nadar. Então, confie em mim, dona Tartaruga. Eu só preciso desta gentileza. Me leve do outro lado, por favor. Eu vou ficar lhe devendo este benefício o resto da vida. O que a senhora precisar de mim, pode contar. Faça-me apenas esta gentileza”.

A Tartaruga ficou pensando, pensando, “É, não tem lógica. Se ele me aplicar o ferrão, eu morro e ele também morre porque ele não sabe nadar. Eu acho que não custa nada fazer esse favor”. Ela saiu do casco e disse, “Está bem, senhor Escorpião. Suba aí nas minhas costas”. E o Escorpião, com a cauda levantada e aquele ferrão assustador, foi subindo pela traseira da Tartaruga e foi até o topo do casco.
Lentamente, a Tartaruga foi descendo a margem do rio e o Escorpião lá em cima, “Muito obrigado, dona Tartaruga. Muito obrigado pelo favor que a senhora vai me fazer”. E a tartaruga, “De nada”. Ela foi descendo até que encontrou a água e começou a nadar com o Escorpião em cima do casco. A Tartaruga nadava e nadava para alcançar a outra margem do rio. Mas o Escorpião começou a olhar para o pescoço da Tartaruga e ficou pensando, “Que vontade de dar uma ferroada. Eu não estou conseguindo controlar a minha cauda”. E a Tartaruga inocente, nadando, nadando e nadando; pensado que estava prestando um favor ao Escorpião.
De repente, a Tartaruga dá um grito, “Ai, o que é isso?! Você me ferroou e o seu veneno está em mim. Por que você fez isto, Escorpião? Eu estou te prestando um favor e agora eu vou morrer. O que é pior: você também morrerá”. O Escorpião disse, “Desculpe, dona Tartaruga. Mas esta é a minha natureza. É só isso que eu sei fazer”.
A Tartaruga morreu e o Escorpião também submergiu naquele rio pantanoso.
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