Eleições Europeias 2019

As reações a qualquer eleição é o que aprecio mais e retenho apenas alguns (poucos) comentários e comentadores. Porém, as reações às eleições para O Parlamento Europeu são as mais interessantes de se apreciar. As de 2019 vão deixar para a história um conjunto de reações cómicas, bem reveladoras de gente que não sabe estar na hora da vitória e na hora da derrota. Vejamos o que se viu e ouviu.

Uma coisa, é que valem pouco. Ideia propalada pela maioria dos políticos o ano inteiro e quando as perdem. Esta também pode ser uma das principais causas da elevada abstenção. A Europa fica longe. Dizem que dá dinheiro, eu nunca vi nenhum, a não ser convertido em vias rápidas e outras coisas em betão que dizem ser feito com dinheiro europeu.

Adiante... Outra coisa, que frequentemente se ouve é que estas eleições, podem servir para mostrar cartão vermelho, amarelo ou roxo ou preto... Aos governos nacionais ou regionais. às vezes falha como se viu nestas eleições, nenhum cartão para o Governo da República e nenhum cartão para o Governo Regional. Antes uma coça valente na principal oposição.

Enfim, outra coisa ainda, nas eleições europeias os resultados são nacionais. Na hora de contar os votos os perdedores empurram para o resultado nacional. E existindo, como é óbvio, vencedores, as vitórias passam a ser locais. A alegria do vencedor regional foi bem patente. No fim, saíram todos vencedores. Porque o perdedor regional elege a sua candidata à boleia do resultado nacional positivo. O ganhador regional esteve à beira de não eleger a sua candidata à conta de ser perdedor nacional. Por isso, nestas eleições, foi interessante de se ver, o perdedor regional, consolando-se com a vitória nacional. O ganhador, aflito com a derrota nacional. Confuso, mas é a realidade...

Mais uma vez achei por demais engraçadas as reações dos vários líderes regionais. Uns retemperaram o folgo e devem ter-se convencido que as próximas batalhas eleitorais estão no papo. Outros nem admitiram a derrota, porque no elan de que as eleições são «nacionais» para o Parlamento Europeu, podem cantar vitória à conta do resultado nacional. Um bom guarda chuva para continuar a anunciar vitória antecipadas.

Não podia ser de outra forma quem há muito anda a apregoar que isto seriam favas contadas, porque o povo andava farto do partido que o «engana» há muito tempo. Mas as anunciadas «derrotas e vitórias retumbantes», estão a sair furadas para uns e para outros. Por isso, não basta escolher gente, não basta fazer de conta, não basta sorrir, não basta falar quando deve estar calado e calado quando devia falar. As pessoas merecem respeito e não admitem que sejam tomadas por tolas nem muito menos por instrumentos que se usa e abusa em campanhas eleitorais e na hora do voto.

Muitos não estão para isto e mandam à fava os politiqueiros que andam mancomunados com os grandes grupos económicos para servir interesses pessoais e de grupo. O povo pensa, não queremos igual ou a outra face, queremos diferente para melhor. Para mais do mesmo basta assim. Portanto, precisamos de credibilidade. Precisamos de gente competente, gente séria que não embarque nos interesses mesquinhos, que seja humilde e que trate as pessoas com a qualidade devida. Todos contam e cada voto representa uma pessoa, uma vontade, um desejo que devem ser respeitados absolutamente. Não há outro caminho para combater o desinteresse e a abstenção.

Mais uma vez até passar o momento, muitos estão a diabolizar os abstencionistas e a fazer as piores conjeturas sobre a elevada demissão dos reles portugueses que escolheram a praia em vez de ir às urnas nestas eleições europeias. O que desejam além disto, se a arrogância e o convencimento petulante das possíveis alternativas desconsidera a inteligência e a vontade dos eleitores? O que queriam além da preferência entre a ida à praia e o ir votar, perante os discursos populistas, a maledicência e a falta de transparência dos políticos que se instalam nas cadeiras de veludos nos parlamentos? O que esperam quando as pessoas candidatas são resultado de recompensas dos amigalhaços e não disfarçam nada quanto ao requintado tacho que irão ter? O que esperam senão a indiferença dos votantes quando sabemos que são descartados os melhores, os competentes e os experientes, só porque sim ou não estão totalmente vergados às estridentes lideranças?

A abstenção é uma posição. Devem ser respeitados os abstencionistas. Eis a meu ver a regra número um, esclarecer ao máximo para que não se mantenham em estado de demissão e tentar apresentar todas as vantagens que há em ir votar e todas as desvantagens que virão ficando em casa.

Assim, abstenção quando muito elevada, como tem sido o caso nestas e em outras eleições, deve requerer debate, reflexão e exigir que se experimente todas as formas possíveis para combatê-la. Não compreendo muito que se possa fazer tanta coisa via eletrónica hoje, e os serviços do nosso Estado até têm sido bem exemplares nesta vanguarda, chegada a hora de votar, continuamos como se vivêssemos ainda sem avanços tecnológicos nenhuns.

Para terminar, obviamente, que não se espera que os eleitos sejam anjos, mas nada nos tira a exigência de que devem ser humildades, respeitosos e irrepreensíveis na consciência da luta pelo bem comum. 
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