Meio cheio ou meio vazio?



O Sr. Vice-presidente do Governo Regional publica hoje um texto bastante curioso. Por um lado, descreve a intervenção rápida dos serviços de socorro, das equipas médicas e da coordenação da proteção civil, que mostraram que são competentes e estão à altura das exigências que tragédias destas implicam. Depois tenta convencer-nos de que Miguel Albuquerque  também o foi, apesar de não ter interrompido as férias.  E acaba com a metáfora do copo meio cheio ou meio vazio.

O texto está bem escrito mas não consegue convencer. Nem vou referir tudo o que o presidente podia ter feito e optou por não fazer para poder estar presente no apoio a esta tragédia, como era sua obrigação. As redes sociais, que esta gente insiste em menosprezar mas que vigia com as unhas e aos dentes dos seus cães de guarda e dos seus agitadores virtuais, já os difundiram e já foram sobejamente lidos por gente suficiente. Concentremo-nos sim no último parágrafo desse belo texto, quando a boca lhe foge para a verdade ao usar a tal metáfora do copo. Ou seja, num texto que diz que o copo estava cheio, porque ninguém falhou nos seus deveres, convida-nos a nos concentrarmos na metade cheia do copo, a que funcionou bem, admitindo que afinal havia outra, a metade vazia. E esta é que é a verdade.

A metade cheia pertence aos profissionais a sério, que não olham a férias para salvar o próximo, trabalharam bem, foram reconhecidos internacionalmente e deixaram-nos orgulhosos. A metade vazia pertence ao Albuquerque por falta de comparência e pelas desculpas grosseiras que invocou para não aparecer. E não há volta a dar. Já aconteceu e não se pode mudar. Querer que a população elogie a metade vazia não se chama elevação, o titulo do seu artigo de opinião, chama-se outra coisa. A mesma que temos de aplicar ao raciocínio primário que nos é apresentado hoje num comunicado do SESARAM que quer desculpar o surto de sarna no hospital velho com o excelente desempenho dos profissionais no socorro aos envolvidos na tragédia do Caniço. Querem ver que além de quererem usurpar o valor das pessoas que efetivamente funcionaram e não nos envergonharam internacionalmente, ao contrário do nosso em breve ex-presidente, também e a partir de agora, todas as falcatruas, fracassos e incompetências serão automaticamente justificadas e desculpadas com este sucesso? Já estão a fazê-lo, mas será difícil convencer um doente com queixas a calar-se porque com os alemães correu bem. E não é preciso ser gestor ou vice para perceber isso.
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