As mentiras "despencam"

Imagem parcial da capa de hoje, 13 de Abril de 2019, do Diário de Notícias.

Os heróis da mentira e da presunção estão a cair. Esgota-se o trabalho do passado e as asneiras produzem efeito. Clarinho como água.

Ouço, neste momento de aflição política para o partido do poder, numa frequência alarmante, casos que incrementam irresponsavelmente a incompetência e os favores que não geram benefício para a Madeira. A política ao serviço dos cidadãos que elegem os seus representantes colapsou. Resta um imenso umbigo de cada um, a se tentar salvar na vida, usando o poder e colhendo os benefícios do privilégio da informação. Estamos a saque. Política é um contributo, não um emprego.

Se já era escabroso verificar na Função Pública ultrapassagens incríveis, fruto de jogadas porque se provém da Privada para ganhar muito mais na Pública do que qualquer Funcionário Público de carreira, pensar que acumulamos despesa com vencimentos sem atrair experiência e conhecimento (Gnose) é grave. Os pilares do insucesso avolumam-se quando todos os dias somam-se asneiras e más notícias. Nada é um acaso e se julgamos que isto é um "passageiro eleitoral" enganem-se, mesmo mudando a sementeira vai produzir desastre.

Chegamos ao ponto de assistirmos à canibalização ou predação do trabalho de mérito de alguns. Retiram-se projectos de quem soube implementar para entregar a gente recém empregada, vazia de competências mas cheias de incompetências para de alguma forma, justificar a sua existência na Função Pública. Assim, nesta forma de desrespeito com o quero, mando e posso, o PSD-M que nunca ligou ao mérito afunda-se. Quem puxa a carroça na Função Pública cansou de tanto destrato e está a encostar às boxes. À incompetência e desmando, junta-se a inépcia programada para gerar outsourcing que, se for como o estudo recente do Turismo, é de bradar aos céus, uma obsolescência. 

Estamos a acelerar a quantidade e grau de incompetência no Governo Regional e vamos pagar por todos esses erros pois sentem que o ónus nunca sobra para eles.

Se uns bem arranjam "emprego", outros preparam-se para sair usando o poder mas mantendo a cara firme de arrogância e insolência, os pedantes aproveitam os meses de palco em fim de contrato.

Findo este aparte, nesta altura em que o verdadeiro estado do Turismo está na ordem do dia, muitos dos que passaram por mentirosos e catastrofistas (porque analisam matéria inconveniente ao Governo Regional) devem recordar o que disseram. Quero participar, recordar uma publicação que fiz sobre o Savoy.

A enormidade foi justificada de todas as maneiras mas, era certo ser desproporcional para o equilíbrio da nossa paisagem e Turismo. Ficaram-se com o argumento que dói nas pessoas, o emprego, esse que justifica qualquer tropelia. Na altura alertaram que ia atrair um Turismo para o qual não temos vocação porque as Canárias vencem-nos, que ia açambarcar o comércio da zona, destruir a paisagem mas sobretudo rebentar com o equilíbrio das economias de escala. O tamanho do Savoy é um desafio e um privilégio que outros não tiveram porque respeitaram as regras e agora, o tal que ia criar emprego mas que o foi buscar (em boa parte) ao estrangeiro, vai acabar por fazer dumping para encher. Quem resiste a um 5 estrelas a preço de chuva numa altura em que o Turismo da Madeira não faz campanhas? Que Turismo vamos ter com a insolúvel situação das inoperacionalidades do aeroporto?

Nunca respeitaram nada, nem a anormalidade das condições criadas vão respeitar o que quer que seja no futuro. Estamos entregues a patos bravos e vamos sucumbir, nada disto bate certo.

Quando se escreve verdade, os artigos são intemporais, muitos autores deveriam ir ao seu histórico verificar e se retratar. Pode ser duro dizer a verdade em determinados momentos, por isso deve-se relembrá-los depois. O deputado das culpas, contas e justificações do Savoy onde anda? Nem escreveu com verdade nem representa o povo para defender uma economia e uma paisagem para todos.

Replico um artigo do DN de Fevereiro de 2016, dêem o desconto da petição que desactualizou e não atingiu a participação mínima. Publico para dizer que o madeirense deve ter coragem porque com esta passividade e cumplicidade nos momentos de decisão vai ser arrastado para a lama ... e vai pagar tudinho:
Diário de Notícias do Funchal
Data: 29-02-2016
Página: 7

stá a terminar o prazo da petição sobre a volumetria do novo Hotel Savoy. Não é contra o hotel, é contra o tamanho, em protecção do emprego que existe e em respeito pelos outros hoteleiros que veneram a paisagem.

Segundo a acta camarária 6/2009, o projecto foi aprovado por maioria com uma notada falta do vereador-funcionário do promotor, acompanhado pela ausência momentânea mas pontualíssima do rato do sistema na votação. Recebeu votos contra do PS e da CDU. Tudo perversamente legal, fundamentado num Plano de Urbanização do Infante que caducou e se esqueceu das regras superiores do Plano Director Municipal e do Plano de Ordenamento Turístico. Na altura, parece que não conheciam monumentos ou espaços classificados. Assim, o Savoy abre novos precedentes depois de ter usufruído de outros. A licença de construção dá direito a uma indemnização como prémio de “jogo” em caso de derrota. Nascerá com o habitual obscurantismo que tende a acompanhar sempre os mesmos. Ter poder ou dinheiro é uma responsabilidade, não um salvo-conduto.

Ao menos traz emprego? Claro que sim! Depois de construído faz sombra, disputando quadros credenciados ou com experiência, em seguida socorre-se do desemprego. A realidade volta ao mesmo com novos desempregos nos 3 e 4 estrelas pelo dumping para encher o gigante. Só falta o “all-inclusive” para não derramar sinergias na restauração local.

O Pestana Casino Park é um irritante vizinho. No atrium estão os manuscritos de Óscar Niemeyer, comprometido com a qualidade e o respeito pelo meio envolvente. Nele há até reparos às autoridades de então, coisa impensável nos nossos dias ao serviço de um promotor:

“O projecto de um hotel na Ilha da Madeira apresenta uma série de problemas fundamentais. Primeira, as características do lugar, a beleza da ilha, seu aspeto pitoresco e acolhedor, que cumpre proteger. Segundo, os problemas que daí decorrem, problemas de gabinete, escala, visibilidade, etc.

Trata-se a meu ver de problemas tão importantes que ao redigir esta explicação, sinto-me obrigado a abordá-los, advertindo as autoridades locais da conveniência de estabelecer medidas de protecção paisagística: fixação máxima de gabinetes, 4 pavimentos, inclusive "pilotis", para os prédios de apartamentos; e 8 pavimentos, inclusive "pilotis", para os edifícios especiais (hotéis, etc) que o turismo exige. Proteção indispensável do panorama nas avenidas que contornam os morros, evitando nas mesmas, construções que possam cortar a visibilidade (Des. 1), o mesmo acontecendo com os edifícios mais extensos que não deverão, depois de construídos, constituir como que um muro contra a cidade (Des. 2). Óscar Niemeyer. Paris, 22 de Junho de 1966.”

Croquis nos manuscritos de Óscar Niemeyer. Amplie.

Arquitecto Viana de Lima
A “escola” de mérito Niemeyer venceu e foi implementada por um seguidor, o arquitecto Viana de Lima. Desenvolvimento não é volumetria, é harmonia, sempre. A Madeira vende paisagem e, por consequência, a hotelaria usufrui dela. O Savoy terá o dobro do máximo sugerido por Óscar Niemeyer para a nossa paisagem, estamos a trocar as ideias, vamos vender hotelaria. A Madeira está a escolher o tipo de turismo que quer e o preço que deseja cobrar. Os inimigos não são externos, aliás, o terrorismo tem encaminhado novos turistas para o nosso destino.

Quando os grupos internacionais da hotelaria despertarem para a região, vão querer um hotel igual ao Savoy, o precedente está aberto. O que irão responder a essa pretensão? Deveríamos estar a trabalhar para ser paisagem património mundial, lucrávamos mais, em vez de caminharmos para Benidorm. O turismo da Madeira não é de imensos resorts com a pulseirinha para não sair do hotel, é de deixar a mala e partir à descoberta dos valores patrimoniais naturais e culturais que “vivem” neste secular contexto paisagístico de ambiência pitoresca. De descobrir a singularidade, a raridade e a originalidade da Pérola do Atlântico no mundo globalizado.

Cabe ao madeirense participar na opinião pública que zela pelo verdadeiro interesse da sua terra. O seu tradicional medo, calculismo ou ilusão de benesse geram sucesso nos prevaricadores. Vai a tempo de assinar a petição para que haja um debate sério na ALR: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT79514

Sobreposição dos hotéis vistos do mar. Cobertura integral da paisagem. Amplie.

Link: Política Paisagística? Assine já!


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Sugiro a leitura deste artigo da Gnose: "Quebra não chega a 1%"
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