O Dr. Macedo e a serenidade do Sesaram

Estes dias que correm ficam marcados pela serenidade. O madeirense Bispo Maurílio de Gouveia morreu em Gaula num ermitério que se chama «Maria Serena», um nome tão adequado, morreu serenamente, mas morreu.

Ao lado, não muito distante deste mesmo quadro da fatalidade da existência. O médico Dr. Rafael Macedo, após declarações escaldantes na comissão de inquérito do PSD da renovação, naquela caricatura chamada Assembleia Regional da Madeira, foi dispensado do serviço que exercia na Medicina Nuclear do Hospital Dr. Nélio Mendonça, porque não há serenidade para continuar a fazer exames oncológicos. E porque não há serenidade, fica suspenso, mudaram as fechaduras do serviço e canceladas durante quatro dias as consultas para os exames agendados, ficando os doentes à espera que venham dois médicos do Continente para substituir o suspenso Dr. Macedo.

Face a tanto desejo de serenidade fico sem palavras. Mas, salvaguardo respeitosamente e para encerrar este capítulo digo o seguinte: para a «Maria Serena» ermitério, que suponho ser mais um título para Santa Maria, a de Nazaré, nada a dizer, apenas curvo-me diante do mistério da morte, desejando paz para qualquer possa quando atravessa a fronteira da morte e no caso para o Bispo Maurílio Gouveia.

Porém, para a serenidade que almeja o Sesaram, também me curvo, mas para me levantar de imediato para perguntar, não havendo dinheiro há poucas horas para nada, onde desencantaram, assim tão de repete, dinheiro para fechaduras novas e para contratar médicos para esta área da Medicina Nuclear, dispensando o médico que assegurava o serviço? Porque reagem assim com tanta força se andaram o dia inteiro a desmentir o Dr. Macedo e esforçando-se tanto para mostrar que quem está mal são os utentes do serviço de saúde e não o esquisito sistema de saúde que foi montado entre nós cheio de interesses privados em prejuízo do bem geral? Porque matam o mensageiro se a mensagem parece estar de acordo com tanta reclamação que se houve todos os dias sobre alguns serviços de saúde na Madeira? Porque não conversar com o Dr. Macedo, aceitar alguns dos seus pontos de vista. Devendo iluminar os que estão incorretos e aceitar os que correspondem à realidade, mudar o que precisa de ser mudado e manter o que está bem?
   
Enfim, anda prá aqui uma serenidade meia esquisita. Se ontem e pela manhã de hoje (21 de Março) parecia que ainda podíamos levantar algumas dúvidas quanto à gravidade das denúncias do Dr. Macedo, proferidas na Assembleia, mas esta tarde foi profícua em serenidade, corroborando que tudo o que disse, tragicamente pode ser tudo verdade. Não me alegro com isso. 
 
As desculpas em catadupa mal amanhadas de outros médicos acossados, a reação do Sesaram, o desmentido  do título do JM e a suspensão do Dr. Macedo, fazem serenar as primeiras dúvidas e levantam outras para não dizer certezas sobre a veracidade das denúncias. Tão sereno este caminho. Entretanto, as pessoas adoecem, sofrem, desesperam e morrem mais cedo do que deviam porque o Estado misógino onde nasceram, que devia garantir-lhes segurança e qualidade de vida digna desde o nascer até ao morrer, não gera serenidade suficiente para cumprir os seus deveres.  

A serenidade fica tão bem, quando se reage aos incómodos com saneamentos antidemocráticos contra os críticos. Não de anormal se a história conta muitas situações destas durante os anos da democracia ao jeito da Madeira. Não me parece saudável quanto mais sereno! Por isso, devia saber o Sesaram que o adágio popular nunca deixou por mãos alheias os seus créditos: «Quem semeia ventos colhe tempestades».
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1 comentários:

  1. O problema de tudo isto é que o Dr. Rafael só falou a verdade. Agora cada um que tire as suas conclusões.

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