Rafael Macedo


Vou escrever umas coisas triviais da forma como as sinto, mas não terão ponto sem nó.

O Rafael Macedo é um ser hiperactivo, mentaliza-se com data e hora para cumprir mas vive numa terra onde não se respeita datas e horários por costume e, chegar atrasado, é uma forma de manifestar superioridade. Estes "gajos" importantes por demérito, noutros países, já não entravam onde faltaram ao compromisso da pontualidade. As dissertações devem ser concisas, 15 minutos é a regra, porque parte-se do princípio que todos têm a lição na ponta da língua e a reunião será produtiva por novidades ou ideias. Aqui, 100, 1.000, 10.000 esperariam pelo "importante" que acrescentaria o tempo de prelecção consoante o ego. As horas na Madeira é "pelas" para ninguém se envergonhar, os orçamentos têm rectificativos (atenção à pronuncia do C), nivela-se por baixo para aprovar e depois soma-se, vai-se somando. Podia perfeitamente chamá-los de "irresponsáveis" mas aqui é uma ofensa e não uma verdade porque os hábitos regem-se pelo laxismo e, quando alguém se ofende, todos os que lucram juntam-se em matilha. Está-se bem. Na política pocilga-se e não se fala do que interessa, obra-se na Saúde quando o problema é de gestão e esquemas, para além da manutenção de edifícios, equipamentos, quadros de pessoal e pagamentos. Surgem tantas virgens para esta clara verdade ...

É normal se ver consultas atrasadas e pacientes à espera, quando há consulta e não telefonam para adiar depois de meses ou anos à espera. O Rafael Macedo é o contrário, é por isso que é exigente depois de metódico e preciso, ora ... estas virtudes já são um problema na RAM. Ferem.

A designação é RAM, Região Autónoma da Madeira, não poderia ser mais apropriado, é tudo um ram-ram. Se tens vontade de trabalhar ou inovar, cedo te chamam espertalhão e metem-te como o marginalizado da zona. Tudo deve cumprir a cadência, o ritmo e o desejo dos medíocres com os respectivos interesses. Por isso a Madeira é o que é. Estigmatizada. É uma ilha complicada, conflituosa, cheia de jogadas, monopólios e benefícios que se encobrem. Se não acordam com os corajosos, a realidade cairá em tromba de água. Os de fora que já meteram risco em cima esperam pela hora do juízo final. E o que é isso? É o momento do esgotamento do sistema por falta de meios financeiros, depois de tanto prevaricar o Orçamento Regional, chega um momento que tomba, tromba de água, dívidas com ausência de receitas para suprir. Todos os que viveram à sua sombra estarão seguros e ricos, se desejarem, emigram para lugar mais aprazível e, os cidadãos que lutam dia-a-dia para sobreviver na conjuntura criada ficam ... a pagar. A razão será reconhecida tardiamente quando não houver remédio. Já aconteceu e vai voltar a acontecer. Até que o contribuinte europeu acorde (por azar já acordou), os apoios da UE sejam ajustados (para baixo) e surja uma catadupa de fiscalizações por demasiados casos suspeitos em diversas áreas. Será o dia dos heróis sós. Aqueles que tombaram na luta pela decência.

Na Madeira é tudo perfeito, sempre perfeito, o mais, o maior, o grande, o melhor mas falimos a região e adicionamos uma dívida escondida. A nossa Saúde "não é bem assim", "que exagero, que se conte as partes boas", etc ... mas todas as listas são de espera, bem nutridas por extensão e tempo. Esse essencial na Saúde, ela não dispensa a pontualidade. Se você for doente, prefere o hiperactivo e metódico Rafael Macedo, com defeitos e virtudes, ou o céu na terra dos outros? Falar de céu na doença já mete ansiedade. Não é verdade que todos metem cunha na nossa Saúde para ver se não demora tanto?

O madeirense deve investir em viagens (isto pode ser ofensivo para alguns mas é dito mesmo por utopia), ouvir os outros, sair do cantinho do céu, comparar.

Desculpem a sinceridade. O Rafael Macedo dava um excelente profissional na Holanda, 100 à hora, "telha corrida" (dito com respeito à luz das regras locais de quem se indigna) e país de fabrico de algumas máquinas. Estabelecem um prazo, acabam sempre antes porque o que cresce é para conviver, festejar ou aperfeiçoar. Porque os ambientes de trabalho perfilam-se por objectivos e prazos, os mesmos são muito melhores e aprendem a fazer equipa para alcançar os objectivos, caso contrário todos perdem, não costuma haver inúteis importantes por cunha política. Ou sabe-se ou não se sabe. Parece incrível, por isso deve viajar.

Mas tem mais, segue-se um exemplo, porque o trabalho está feito a tempo e horas, o país é muito competitivo. Neste momento, a Airbus, no que concerne ao fabrico de asas no Reino Unido, está a contas com o Brexit. A Holanda, há alguns meses, enviou a várias empresas do outro Reino funcionários do seu Governo nas áreas da economia, finanças e energia. Como sempre oferecem regalias fiscais, seguro de investimento e não sendo suficiente, ofereceram no caso da Airbus a energia para laborar (um dos principais custos) porque, tal como os comboios que já circulam a 100% com energia eólica, energia é uma vantagem que se pode oferecer ... porque se está à frente no tempo, é de "borla". A rentabilidade dispara depois da manutenção das geradoras. Tempo é dinheiro. Energia é rentabilidade. Precisão é vitória.

A Madeira cansa porque tudo é complicado e conflituoso, tudo é esquemático e politizado. Com tudo se retira dividendos sem retornar qualidade de vida por via de impostos que se paga. Os que falam de trabalho e produtividade têm os restantes a fazer política, essa de onde retiram dividendos e promoções. Quando assenta a poeira afinal nada funciona.

Escrevo no formato antes da barbaridade ortográfica porque, por exemplo, adoro a palavra "ponctualité" ... aquele C fere e determina a exactidão. Tal como gosto em português de alguns "C's" antes do "Ç" ... existem para reforçar o sentido da palavra ... claro que foi abolido ... laxismo é o que está a dar. Impera. ... vão nascer mais "reCtificativos" para compensar as verdades políticas.

Da maneira como está a nossa saúde é pouco credível que os gestores tenham razão e são os profissionais a dar a cara pelo sistema aos enfermos. É natural que saturem e os gestores digam que não é bem assim, pois na Madeira trabalha-se para ser caro e não competitivo. As razões são as que conhecemos ...

Entretanto, algures na Holanda, estas discussões são coisas do século passado, os hospitais estão a levar doentes à exposição do Rembrandt no Rijksmuseum onde pela primeira vez se juntaram todas as obras do pintor, estão numa exposição. Tem sido uma alegria e um histerismo nos hospitais, até nos casos terminais. Que alegria dá o serviço regional de saúde? As listas de espera? A falta de fármacos e de meios humanos? Os esquemas? Sim há profissionais dedicados e há bons exemplos, excelentes, que bom, ... já não posso dizer o mesmo de gestores e políticos. Não se escondam atrás do mau quadro! Há falta de gestão, decência, humanidade e responsabilidade. Há tanto para crescer! Para chegar ao tempo de haver tempo de tudo funcionar e levar os doentes ao museu, ao parque aquático, à visita ao navio, ao oceanário e até ao casino.

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