O jornalismo pode evitar erros na governação

A solução 3 tinha em conta a batimetria para facilitar os trabalhos e os custos.

A Madeira tem um grave problema, não há selecção natural. Seria a forma de adequar a capacidade das pessoas aos cargos e às funções para o bem de todos e para o desígnio regional. Infelizmente, isto não é entendido, agora contam as massas acéfalas que em coro repetem pelo diapasão dos DDT, políticos ou empresariais. Se és impreparado mas "carneiro" terás o teu tacho bem remunerado, o "Politburo" do sistema regional dará as instruções.

Tenho dito e aguardo, não como premonição mas com certezas do que ocorre nos bastidores da indústria, de que a Madeira vai se dar muito mal com os cruzeiros. Não tem condições para acolher, não faz prospecção nem promoção, não contacta, não sabe o que procuram as companhias e os passageiros, não tem tacto para tratar bem a indústria. Estamos nos antípodas do que andam os Açores a porfiar há muito e que levaram à alteração do estabelecido para as travessias Atlânticas nas mudanças de temporada.

A APRAM está fortemente minada por colocações políticas, não saímos do monopólio que cada vez cresce mais noutros sectores conexos em vez de realizar a prometida reestruturação. Basicamente, blindam os interesses para que depois qualquer passo seja impossível e mantenha, mesmo com mudanças, o status quo. Será sempre oneroso ou carecido de indemnização (depois de tanto usufruir) o afastamento do polvo. É por isso que temos qualquer uma a mandar na APRAM, para servir interesses, e esses não são os da Madeira.

Na notícia da RTP-M, se ouvirem com atenção, evita-se a todo custo a verdade, que se construiu mal o Cais 8, que não serve para acostar navios e que desvia (enquanto parede de tabela) a ondulação e as correntes para o interior do Porto do Funchal. Explorou-se, só ao de leve, o clima e a necessidade de fazer crescer o porto com a indústria (navios maiores que arrancam cabeços de amarração desadequados). Para navios maiores, mais extensão de cais porque isso importa às empresas de construção. Não se disse, em nenhum momento, que a construção do Cais 8 inviabilizou a plena segurança em todas as 8 posições de Cais no Porto do Funchal e que agora temos, incrivelmente, menos área de cais apetecível para os cruzeiros virem cá depois da construção do 8. Todos os madeirenses se subordinam ao erro através dos responsáveis e da comunicação social que foge aos temas por forma a 1, 2 ou 3 não perderem a razão política.

Só se projectam na área portuária serviços desconexos.
Lembram-se da discoteca? Lota, Museu ... Qual o interesse no porto?
Toda esta gente que não conta a verdade é pior do que aqueles que mandam construir, porque a critica, se receber resposta, as situações solucionam-se, agora perverter, desviar, contar de outra forma é protelar a solução e garantir que "vamos" cometer mais erros. Falham mas não querem ser culpados. Viram projectar e construir mal mas não abriram a boca porque preferiram zelar pelo emprego e não acreditam nas instituições que lhes poderiam valer (também minadas). Agora, paciência, são cúmplices, não cabem todos os proveitos no mesmo saco.

Nunca haverá coragem de algum governo desta cor para destruir o Cais 8, a solução será sempre construir mais, prolongando a Pontinha, ninguém quer saber, por exemplo, o que idealizaram e porquê, os mais antigos que estiveram na origem da Pontinha e que a conceberam bem, plenamente comprovado pelos anos de serviço sem maus registos. Se calhar sabem mas destapariam mais erros. Naquele tempo, contavam que as ribeiras num outro 20 de Fevereiro poderiam encher o "poço" interior do porto, basta pensar na dimensão do aterro que já tivemos. A propósito, já necessitamos (outra vez em curto espaço de tempo) de desassoreamento na foz das ribeiras, que negócio. Nas obras pensadas era já de prever serviço permanente.

Virá um tempo em que outros muito melhores do que estes, sem merecer, provaram o acumular dos erros e onde haverá bem menos escalas de cruzeiros (na quantidade a que estamos habituados). A indústria, apesar de mudar rapidamente de portos, tem a planificação das localizações e itinerários projectadas a 3 anos.

Quanto à RTP-M, era bom mudar o jornalista das peças sobre portos e mar, está a ficar estigmatizado, por conivência ou ignorância, por frete ou falta de bases, é estranho nunca surgirem as perguntas chave nas suas peças. Parece que a informação na Madeira é de fugir aos assuntos. 


O projecto para a execução do prolongamento do cais da cidade foi apresentado em Março de 1929 tendo merecido o parecer favorável do Conselho Superior de Obras Públicas e a aprovação governamental em 1930249. A obra foi adjudicada à empresa Nederlandsche Maatschappij Voor Havenwerken N.V. de Amesterdão, após a realização do concurso público, tendo o contrato sido assinado em 15 de Junho de 1931. As obras de ampliação do cais foram concluídas em Maio de 1933.
Percebe-se porque as obras marítimas acertavam antigamente, jogava-se pelo seguro em vez de dar obras a amigos "comerciantes".

Inviabilizamos tanto por incompetência, incúria e medo que qualquer dia voltamos, a par das alterações climáticas e dos erros, à solução inicial.

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