A pombalização do Funchal





Por ventura não estarão de acordo com esta admirável visão, quase sempre obrar traz repulsa, quer se cimente, quer se produza semelhante ou até maiores resultado fisiológicos. É o que temos, a par da beleza das luzes de Natal que nos deixam de cabeça no ar. Ora inflexão para baixo e vamos debitar, assentes na Terra, aqui vamos.

Um dia alguém acordou e achou que deveria facturar, já tinha até vendido pentes a carecas, escovas de dentes ... a desdentados, rádios a surdos mas também sinais de trânsito ímpares porque os pares estavam démodé, bien sûr, e o cliente estava capaz de pagar. Mas, o que mais fazer? Alguns têm o desejo de facturar como algumas donzelas para comprar enquanto o cartão dá. Neste caso o sistema é mais perfeito e pagam os outros. Este sim não está démodé, bien sûr.

Pensou, pensou, pensou, suspirou ... ora aí está! Vamos sacar as buganvíleas das ribeiras e pôr as paredes das ribeiras lisinhas com betão a brilhar. Não é uma questão de robustez, é uma questão de estética, duvidosa, reveste parede e tira buganvílea. Lindérrimo, bien sûr. O ambiente aquece e reflecte mas há ar condicionado nos melhores escritórios de qualquer trapaça.

As paredes duraram séculos, passaram por aluviões e cataclismos, firmes e hirtas, tão seguras que, apesar de estar a mercê das águas, os pombos disseram: - bela casa ru-ru-ru. Gerações e gerações de pombos e pombas passaram pelas paredes do Oudinot e, num ápice, viram-se sem casa. Primeiro ninguém podia estar com a barulheira, depois apareceram uns caras feias com madeira, logo e ainda vieram outros que verteram coisa que enrijeceu. Pomba! ... e pombo ficaram sem lar, foi a intempérie homem para facturar.

Foi grande a migração, a fugir da guerra e da perseguição, a pedir asilo político em qualquer beiral. Ninguém juntava peças mas todos se queixavam, tanto pombo e pomba. Quais migrantes, improvisaram, começaram a frequentar mais as mesas das esplanadas, dessas por onde passa a vida da região num ... ru ru ru ... qual pombal mas, também de distracção dos pobres capazes de pagar o parco café. Todos tinham uma pomba à mão! Mas o que é isto? Uma praga? Cá nada! É uma migração forçada pelos senhores do betão.

Todos se acostumaram, o assunto foi esquecido, pombos e pombas encontraram outros lugares de preferência sem espetos, com algumas assoalhadas porque a família cresce mas, imprescindível mesmo, é ter uma boa retrete. Por mim aconselharia zonas nobres, desses que usufruem do dinheiro que ganham. Quem leva a renda poderia levar o bónus da pomba, à porta poderia elevar o pensamento ou até também migrar para outras formas de facturar.

O ser humano obra, pombos e pombas também, bastante. É vê-los a obrar pelas Ruas dos Ferreiros, onde não há ditos cujos mas arreava-se com um pau. Pomba! Ai, aqui é pumba! Obram sempre a direito, perfiladas pelos melhores prédios dos Donos Disto Tudo, claro que não contam os "recuadinhos", a esses cai à porta. É mais um lembrete, ganhem dinheiro honestamente para que obrar não sobeje para os outros, nem o calote nem o pivete.

De obrar estamos falados, a obra perdura e perdura, nos Ferreiros e nas outras, na salubridade não há viva alma ou só rodam pelas principais avenidas ... as tais das iluminações que elevam o olhar? Pomba! Ai que aqui é pumba. Se acertou no olho ou no fatito, regresse à base, meta ordem, mantenha pulso na secção, compre Idalina, ai, aqui era creolina, e esfregue o chão! É certo que não têm culpa da obra mas a obrar assim ficaremos com ela pelo olhar, bien sûr. Que finura de lamentar. A câmara da salubridade vai começar a fotografar, porque parece coisa de banda desenhada.

Stop the pigeon, NOW!
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