Inconseguimentos - Restaurar a Renovação?


Depois daquela carga de ombro seguida de entrada de carrinho a pés juntos, Jardim teve mesmo que ir. Caramba, já estávamos mais que cansados daquela falta de capacidade de fazer um upgrade estrutural e comportamental, mas confesso que senti uma tristeza ainda que momentânea. Não devia ter sido assim e só cabia ao próprio que assim não fosse.

Uma coisa que nunca ouvi o Dr. admitir frontalmente - que racionalizou ao ponto de nos parecer que estava completamente alheio da realidade no terreno. Desprovido daquela acutilância que todos lhe reconhecemos. Porque, terá ele que me perdoar se porventura chegar um dia a ler isto, ninguém adivinha o que sentia ou deixava de sentir em relação a tudo o que acabou por acontecer. Mas os resultados efectivos e tornados mais que evidentes, estavam bem à vista de todos. Era imperativo mudar a liderança.

Todavia merecia. Por toda a obra que fez pela ilha. Pelo reforçar da nossa Região Autónoma, da nossa Autonomia. Merecia que o nosso aeroporto se escrevesse com o seu nome. Não é uma fatalidade que assim não seja mas, na minha opinião, seria mais que merecido. E logo o aeroporto. Merecia também tantas outras coisas e mereceria ainda tantas outras mais, se tivesse na altura certa, dado lugar a que o partido se pronunciasse livremente sobre quem escolher para liderá-lo. Tinha ficado bem e tudo seria diferente. Mas não foi e tudo o que levou a que assim não tivesse sido, destruiu com mácula, um percurso que merecia não ter sido sequer minimamente beliscado. Mas são os defeitos dos homens. Agir a quente, decidir sob coacção, agir guiado pelo medo, pelas inevitabilidades, são algumas das principais precipitações a evitar. Transmitem insegurança e incompetência.

Depois são pessoas, os emissários, com dias bons e dias menos bons que estão lá fora também. É preciso lidar com o que é pequeno como pequeno e com o que é grande como grande. Pensar no futuro, planear, prever, arranjar alternativas. Preparar. 

Somos uma ilha pequena, com uma economia frágil. Com os ovos todos quase num só cesto. Dependemos de pouquíssimas empresas, privadas, para ter garantido o  direito a uma mobilidade de e para a ilha, que nos é assegurada pela Lei. Para vermos assegurado um direito enquanto cidadãos portugueses e mesmo como europeus. Estamos limitados à partida e o governo briga e grita e achincalha e maldiz e nada. Nada muda. 40 anos. 

A Madeira garante a Portugal uma maior zona económica exclusiva com enorme potencial. Pagamos os nossos impostos como todos os outros portugueses. Os serviços na Região vão perdendo a qualidade. Já há gente com receio de entrar no Hospital. Cada vez mais gente atravessa o mar para ser consultado no continente. E até nos transportes temos a vida dificultada. Para o turismo é muito mau também. Até a falta do ferry já se fez notar nas prateleiras dos frescos nos supermercados. E há um governo que adia. Que anuncia como cumpridas, obras que nem a primeira pedra foi sequer orçamentada. É o discurso dos milhões, das razões, das indignações, que não resolve. Que atrasa. Que cansa. Já cansa. E já se sente o cansaço quando se anda pelos dias, em todo o lado. Nunca mais chega. A oportunidade passou.

Não houve a prometida e esperada Renovação. A este ritmo morremos todos pelo caminho. Baralhar e dar de novo com "jogo velho" não adianta já. Não houve por incapacidade a tal Renovação, que haja uma Mudança. É essencial uma mudança para sairmos deste impasse. Porque, por este caminho,  os nossos filhos vão ter mesmo que sair. E eu, não sei vocês, mas eu gostava tanto de poder envelhecer perto deles. Se acontecer, saibam que roubaram o melhor do meu envelhecer.

P.S. Os partidos ensurdeceram, os políticos cegaram, os cidadãos calaram, a justiça não sente. A malta... a malta paga.
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