A máfia no bom sentido

Há horas atrás tomamos conhecimento de que o Marítimo vai receber 20 milhões do Governo Regional, assim uma coisa natural, como se esse montante não fosse obsceno perante outra decisões muito mais importantes que não se tomam. O caso mais gritante é o estado da Saúde na região que, cada vez mais, entrega a privados e a Lisboa a solução de alguns casos por falta de condições materiais e técnicas, meios humanos e medicamentosos mas, como não é da área deste Secretário da Educação vou passar a outro exemplo.

Por acção de professores dedicados, vários deles e alunos têm a oportunidade de, através dos programas Erasmus, conhecer e dar a conhecer as realidades de outros países ao nível da Educação. Há algo curioso que se nota no programa, são muitos mais os países menos cotados a participar do que os mais desenvolvidos. Ainda que de forma empírica, chego à conclusão de que esses países que não participam sabem que estão na linha da frente e os outros querem conhecer, saber e divulgar experiências para poderem crescer.

Se os professores andam revoltados com a atenção que não se dá à Educação, a mesma a que votam o nossos Serviço de Saúde, mais revoltados ficam quando conhecem o avanço tecnológico das escolas que visitam em países menos cotados e a condição de respeito e autoridade conferida aos seus professores. Enquanto o senhor Secretário da Educação dá 20 milhões para estrangeiros chutarem na bola (dizem que para nos representar condignamente promovendo a ilha), os professores passam por muitas vergonhas quando representam as escolas da região. É que nalguns casos há mesmo intercâmbio e a comparação existe.

Os professores da região, e eu assumo os seus pensamentos, vêem-se envergonhados pelas escolas que têm. Sabem que vão ser o patinho feio, os atrasados da Educação, na cruel comparação até com países menos cotados e isso deve-se aos meios. Nem dizemos que até levamos o papel higiénico de casa, quanto mais computadores, projectores, colunas, interactivos, ponteiras, etc. A secretaria dá-nos giz. Há dias fez folclore com computadores, veremos se para andar naquele PLACE (programa onde se lançam sumários, notas, relatórios, etc) que se mexe a carvão.

O que fazer quando o poder satisfaz os fanatismos a seu favor ostracizando o conhecimento para ridicularizá-lo? O que fazer nesta situação quando é o próprio governo que retira autoridade aos professores nas escolas e denigre a sua imagem pública para que sejam os maus da fita? Como lidar com o facto (para ser bom professor) de nos maltratarem com a ideia de muitas férias quando trabalhamos horas e horas em casa a preparar aulas e a corrigir testes, à noite e aos fins de semana, e ninguém assume isso como tempo de serviço. Nem estou a falar de 9 anos ... quanta maldade. É natural que se preveja falta de professores no futuro, quem se sujeita a isto?

Há dias verifiquei que os professores estão em situação parecida à dos estivadores, não têm condições de trabalho, respeito e justa compensação mas são os maus da fita porque se molda a cabeça dos alheados pobres de espírito, em grande número, para fazer política barata, como a senhora de há dias que sonhava com uma escola sem exigência de conhecimento. O político é cínico e matreiro, usa e incute o facilitismo e o comodismo para roubar votos a gente que não pensa.

Digamos que percebi um pouco mais sobre o que é isso da Máfia no Bom Sentido, que se acentua sem nunca ter findado como Miguel Albuquerque dizia em 2015. Há eleições. A Máfia no Bom Sentido é o grupo de pessoas que se sentam à volta do Orçamento Regional, esse que agora vai ser o melhor de todos porque com certeza vai contentar capelinhas. Quando ouço o "melhor de todos" só me lembro do Subsídio Social de Mobilidade, outra desgraça para a Educação. Ora, Máfia no Bom Sentido é o conjunto de pessoas que convergem para manter o poder a todo custo e marginalizam gente com coluna vertebral que não cede. Os que usam o Orçamento Regional a seu bel prazer com objectivos eleitoralistas e não para melhorar a condição de vida das pessoas, sobretudo iluminar as suas mentes, para assim não perigar a sua falta de categoria a todos os níveis, essa sem valores ou pudor.

Chego à conclusão de que a ilha é cada vez mais ilha, muito para além da falta de soluções de transportes de pessoas e cargas, e assemelha-se à ideia de ignorância sem comparação em que o regime da Coreia do Norte conserva os seus cidadãos. Nós temos Internet como porta mais económica para comparar mas nunca é o mesmo do que sair e ser surpreendido com aquilo de que não se procura mas ficamos a saber.

Estou capaz de provar o grau de atraso, sobretudo tecnológico, em que as nossas escolas se situam no panorama europeu mas se o fizer, com imensas fotos e filmes, corro o risco destes imbecis da Renovação começarem a perseguir. 

Eles não têm instintos de bem comum nem de mérito, a Escola do Curral das Freiras é um exemplo e ainda bem que está a "matar" este secretário regional mostrando a sua maldade. Se o fizer, corro o risco de colocar mais gente perseguida como fazem aos funcionários públicos; aos empresários que não participam nas jogadas dos concursos; a gente muito mais valorosa, no conhecimento e na atitude que se candidata a concursos de emprego; às pessoas com opinião e que a emitem publicamente como foi o caso do nosso colega Luís Matos que recebeu uma chamada de ameaça.

Termino dizendo que esta coisa de Povo Superior no mais, melhor e maior é uma grande farsa, uma burla, que conta com o nosso isolamento para levar avante um plano de uso do Orçamento Regional para fins obscenos e que nos empobrecem, mental e culturalmente. 

Já nem falo do nível de vida. A Educação é a melhor arma para gente independente, sobretudo se sair da Madeira em vez de padecer subjugada à máquina de interesses de um regime caduco que se alimenta do Orçamento Regional e que agride todo ser inteligente e independente. Como não seriam os professores uma classe a abater? Colidimos com a Máfia no Bom Sentido.

Um secretário regional da Educação decente, mesmo que fosse obrigado a dar 20 milhões ao Marítimo teria a opção de se demitir em discordância mas, como desde sempre só pensou em si, arranja uma grande cara de pau e mantém-se na Máfia no Bom Sentido.

Penso que estou autorizado, perante o exposto, a dizer o seguinte sem me considerarem em acto político, coisa que abomino. É muito importante haver alternâncias no poder para não cristalizar um sistema de Máfia no Bom Sentido que beneficia sempre os mesmos e, não importa que corramos o erro de escolher piores, se o poder não tiver maiorias absolutas. Está visto que a saúde pública é governada em função de dar sucesso à privada e que a educação segue o mesmo caminho para beneficiar as escolas privadas, comparativamente muito mais patrocinadas do que a pública pelo Governo Regional. Basta ver a opção de um estádio todo de borla ao Marítimo, em suaves prestações, e a confusão que fazem para manter escolas públicas de mérito abertas. Precisamos de esquerda. Isto está obsceno e começo a ter vergonha do que somos perante os de fora. A esquerda é muito mais amiga do ensino público, contabilizados os erros de todas as partes.

A escola pública deveria significar
uma oportunidade igual para todos de berço e na formação.
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