O ferry, a vitimização do PSD-M e a conivência do PS


Há muito tempo que se nota que a estratégia política do PSD-M passa por fazer-se de vítima do governo nacional. No passado eram os "cubanos" com as suas tentativas de colonização da Madeira. No presente o discurso mudou mas o significado é o mesmo.

Recentemente foram aprovadas na Assembleia da República as propostas do PSD-M e CDS-M sobre a suspensão da lei de finanças regionais e moratória dos juros da dívida. Todas as bancadas votaram a favor à exceção dos deputados do PS nacional. Felizmente aqui não imperou a ditadura do sentido de voto, o que permitiu aos deputados do PS eleitos pela Madeira votarem a favor das propostas.

Todos devemos lembrar-nos que a ligação ferry com o continente fez parte das promessas políticas do PS-M durante a última campanha eleitoral. Esta promessa tornou-se em uma questão nacional quando o próprio Primeiro Ministro António Costa anunciou junto com o então candidato Paulo Cafôfo que a ligação seria retomada. Essa promessa foi ainda reiterada mesmo depois de saber-se que o PSD-M continuaria a ser governo na região.

Estas são apenas duas situações de um conjunto delas que lamentavelmente levam-me a crer que o governo nacional está a ter um papel ativo para sabotar o desempenho do governo regional a fim de tentar obter alguma vantagem política. Devem crer que essas dificuldades criadas artificialmente farão com que o governo regional não consiga cumprir de forma eficaz com as suas funções e assim causar revolta e impopularidade no meio da população regional. Contudo, no meio desta guerra política quem sai prejudicado é a população da Madeira e também uma boa parte da população do país.


Acho que se o PS quer lutar contra o PSD-M, a estratégia deveria ser a oposta da que está a fazer: mostrar que o PS está de facto com a Madeira e que fará tudo o que estiver ao seu alcance para ir ao encontro das necessidades da região. Mostrar que apesar do governo regional ser de outra cor política, que o bem-estar da população está acima de questões partidárias. Isto é plenamente importante quando se sabe que "mais vale um diabo conhecido do que um desconhecido". Como o PS quer ganhar votos na Madeira se este mostra que não está solidário com a região? Não cumpre as promessas que fez e ainda dificulta a tomada de medidas benéficas para a população? Como pretendem ganhar a confiança da população regional com essa estratégia? Depois são ultrapassados por outros partidos, como pelo Bloco de Esquerda que respondeu através da deputada Mariana Mortágua que votaria a favor das propostas da suspensão da lei de finanças regionais e moratória dos juros da dívida por ser uma medida justa e não devido às birras do governo regional. É esta estratégia que mostra que a política deve ser feita pelas medidas efetivamente tomadas e não por retórica e argumentação para tentar justificar o injustificável.

De quê está então à espera o governo nacional para mostrar à Madeira que a sua equipa política tem capacidade de fazer mais e melhor pela região? Certamente que não será dificultando o trabalho do PSD-M que conseguirá votos. A população dá valor a quem torna as medidas efetivas, não interessa de que partido tiverem origem. Os resultados nas urnas refletem os resultados políticos do passado e nem tanto das promessas jogadas para o futuro...porque "de promessas o inferno está cheio". Portanto, se o PS quer efetivamente um dia governar a região, talvez seja boa ideia mudar de estratégia. A atual está mais que vista que só irá prejudicar a eles próprios. O governo nacional que comece a mostrar que está com a região. Que comece por exemplo a cumprir com a promessa do reestabelecimento da ligação ferry com o território continental, com o mínimo de intervenção regional, e aí sim poderá dizer que essa foi obra do PS. Que o PS sim, cumpre. Que o PS sim, consegue corrigir os erros do PSD-M. Ou querem que os votos caiam do céu?

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