Sobre a pena de morte


Fomos afrontados, por estes dias, com o hediondo crime de uma criança assassinada. Sem trânsito em julgado, não faltaram os juízes de sofá, formados nas leis da Internet, a apontarem acusatoriamente o dedo ao pai e à madrasta da menina, como os culpados do acto e a desejarem-lhes a pior das mortes...

Para uma grande parte destes justicialistas de algibeira, nem a prisão perpétua, reclamada pelo nazi Ventura, é suficiente; “era o que faltava, ficarem dezenas de anos a comerem à nossa custa!...”. Morte imediata com requintes de malvadez para eles aprenderem(?). Bom, bom, para muitos, era se fossem outros presidiários a resolver o assunto; talvez ficassem de consciência mais “tranquila” sem sujarem as mãos...

Segundo as estatísticas, entre a população portuguesa 80% são católicos, com 20% de praticantes dominicais e 10% de comungantes. Talvez não fosse má ideia lembrar-lhes que existe uma coisa que eles deveriam seguir, chamada Lei de Javé Deus, que possui vários (10) mandamentos e cujo quinto refere: NÃO MATARÁS!!!

Ou será que são só os 20% de não católicos que apoiam e clamam a lei de talião (que não é tanto olho por olho, dente por dente, como se costuma apregoar), antes mesmo de uma sentença final?

Para além de todos os riscos que a instauração e a aplicação da pena de morte envolve, com trágicos exemplos de inocentes a ela condenados e executados em vários países onde se pratica, não está provado que a sua existência faça diminuir o número de crimes que estão sujeitos a essa pena.

Ninguém se abstém de prevaricar (a acção de prevaricar segue os interesses pessoais do indivíduo que a praticou, normalmente agindo contra os bons costumes e a moral) com receio de ser condenado. Para além do acto irreflectido, que por si só já remete para a ausência de cálculo das consequências; o crime planeado não considera a hipótese de condenação, sendo executado com o intuito de não ser desvendado. Ninguém coloca numa balança virtual o peso de uma condenação, em vantagens e desvantagens, “se for apanhado”.

Assim, para todos os que acham que destilando veneno e ódio, clamando por uma morte horrenda e imediata para aqueles que cometeram esse acto, meditem nisto: se matarmos todos os assassinos ficam só os bons? Não! Ficam só os seus assassinos!
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