Falemos em economês sumidês, parte I - O exemplo

Um dos grandes segredos da sabedoria económica é saber aquilo que se não sabe, John Galbraith
Antes de lá irmos, ao economês sumidês caladês, depois de ver aquela bancada do GR na apresentação do programa de governo, lembrei-me de Churchill e a premonição que fez em 1903? sobre esta caranguejola e os antecessores:

“Todos homens bons, todos homens honestos que estão prontos a fazer grandes sacrifícios pelas suas opiniões, mas não têm opiniões. Que estão prontos a morrer pela verdade, se acaso soubessem o que a verdade é. As sua opiniões, estão apenas em “”fase final de análise”” e serão cuidadosamente corrigidas e revistas pelo primeiro-ministro antes de virem realmente ao público” in Churchill, walking with destiny

“Existe uma certa diferença entre uma proposta politica que assenta na fé e na honra de um homem público e uma politica que é assumidamente proposta por razões de conveniência táctica e eleitoralista” in Churchill, walking with destiny

Em poucas palavras Churchill resumiu o que foram e são os sucessivos GR´s e os homens que neles “trabalha(ra)m”. Incrível. Em 1903 ? Bruxo.

Falemos então em economês sumidês / caladês (é áspero falar disto e peço compreensão).

A teoria económica em que se basearam sucessivos GR´s, Sec. Regionais de economia/finanças da Região que tem como expoente, Pedro Calado, descoberta e apenas praticada na Região, chama-se: a lei ou teoria económica das Bermudas, lei da folha de excel ou lei dos sumiços. Caracteriza-se essencialmente por não reconhecer qualquer das teorias ou leis económicas de equilíbrio financeiro correntes, de gestão da coisa pública, sobretudo investimentos públicos e de ser na prática, um sorvedouro de: recursos públicos, em dinheiro, em pessoas, em favores e em bens.  Em teoria porém, é moldável aos objectivos e conveniências eleitoralistas , fazendo aparecer, desaparecer dados e valores "à Lagardére"
Alia-se a um conjunto de dados estatísticas, trabalhados para a causa e com instruções claras e precisas para serem moldados ao sabor das circunstâncias e necessidades. Mais uma vez, Churchill foi premonitório.
Tem cuidado com os custos pequenos! Uma pequena fenda afunda grandes barcos. Benjamin Franklin
Os seus princípios matemáticos nunca foram explicados, mas normalmente são sempre contas de "sumir" e milagres de multiplicação em aparecimento de dados reais/irreais, conforme quem, como e quando a defende e pratica.

O particular, exemplo

Difícil de entender ? Eu explico, com o exemplo de uma sociedade de desenvolvimento ou um daqueles institutos que tanto existem e servem ( servirão ?) a Região. 

Fiquemo-nos apenas pela rama alta. Estas entidades, normalmente ao final do ano, apresentam todas, mas mesmo todas relatórios financeiros agradáveis, bons, mesmo muito bons em alguns casos. Podem não ter dinheiro, mas têm sempre, sempre bens ( imóveis ou não ) de elevado valor, dizem ser solúveis, isto é, não estão em falência ( aquilo do Madeira Tecnopolo foi apenas um lapso), mesmo técnica. Mas, lá está, como não conseguem fazer dinheiro, apesar de terem bens ( terão ? ) o GR continua a "emprestar-lhes" dinheiro para fazerem face aquilo que será mais premente: pagar ordenados, custos administrativos, dividas a fornecedores ..... juros na banca..... É ver as contas publicas depositadas ou os relatórios entregues na banca.
Agora começamos entrar na parte mais difícil de explicar. Se têm bens , porque os não vendem ? Assim o GR deixaria de pagar e colocar dinheiro. Lógico, não é ? Já lá irei. (1)
Quando se dissipa o património com loucuras, procura-se restaurá-lo com culpas, Tácito
Estas entidades, normalmente possuem conselhos de administração de 3 a 5 elementos, que recebem mensalmente  em média, cerca de 8 000 € mensais (valor por baixo) de ordenado. Façamos umas contas e nestas não vou incluir as secretárias, assessores, motoristas, carros, combustível, ajudas de custo, viagens e estadias...... fico, repito, pela administração ( a rama alta ).
                                     8 000 € x 14 (meses) = 112 000 € ( sim, sim ....ano)
                                     5 (elementos ) x 112 000 € = 560 000 € ( pois, pois....ano)

Se multiplicarmos isto por cerca de 40, disse bem,cerca de quarenta "coisas" similares e feitas à medida,  ( o numero é maior penso ), temos (por ano ):
                                    40 (soc./inst./similares ) x 112 000 € = 22 400 000 € ( até arrepia
                                    22 400 000 € ( num ano ) x 4 anos = 89 600 000 €( uiiii doí mesmo )

Isto é, apenas NUM ANO, 5 PESSOAS, SEM mais nada, nem o custo de uma folha de papel, copo de água ou cafezito. uma viagenzita ( porque eles fazem muitas em serviço) custam isto. ( dava para pagar metade do hospital novo, valor RAM, 150 milhões ), ou um orçamento para a Saúde, Turismo, ..... e sobrava,

Mas sejamos justos, o GR entrega com a mão direita e recebe impostos....com a mão esquerda. Façamos de novo contas ( não vamos ao pormenor ) num ano.
                                  560  000 € *40% (irs / seg. social) = 224 000 € 

Terminou, não. Porque aquele valor final está errado. É que estas entidades pagam, cerca de 23 % ao estado em Seg. Social. O trabalhador paga apenas cerca de 11 %. Temos que refazer a coisa.
                                  560 000 € * 23% ( empresa paga ao estado ) = 128 800 €

Temos então que para uma daquelas entidades, só o custo da administração custa:
                                  560 000 € ( ord. ) + 128 800 € (imp. paga entidade ) - 224 000 € 
                                  (imp. total ) = 464 800 € TOTAL REAL ANO ADMINISTRAÇÃO
Em 4 anos teremos: 464 800 € x 4 = 1 859 200 € , 74 368 000 € ( 40 entidades ). Chiça penico. 

Em resumo: porque aquelas "coisas" pertencem ao GR, este entrega 688 000 €/ano e recebe 224 000 €. E quem lá trabalha, não produz o suficiente para anular este gap de 464 000 € / ano. Portanto, é fechá-las, reduzir o seu numero, para 10, por exemplo. Chama-se a isto, contenção de custos e optimização de recursos, que a teoria das Bermudas, a Lei dos sumiços, não permite  

O diabo é que isto ainda não terminou: 

Se cada conselho de administração, custa 464 800 € ao GR, deverá produzir, repito, trabalho que compense os seus custos, porque afinal, é preciso que estas entidades não sejam subsidio-dependentes ( como o são de facto ) para o GR não injectar sistematicamente dinheiro. E repito, não estão aqui representados todos os outros custos, administrativos, de funcionamento, de salários, destas entidades, que são maiores, segundo reparei nas contas que vi de alguns destes organismos ( ler o JORAM ). Para aumentar a confusão, o GR é o responsável perante a banca, dos valores/empréstimos pedidos por estas .... coisas. Temos pois, entidades e pessoas incapazes de gerirem bens públicos e que estão lá a fazer o quê ? Se não criam riqueza, antes delapidam-na, então porque existir tanta "coisa" má e tantos administradores incapazes ? Porque não vão para o "olho da rua ? Simples, quem os nomeia e mantém, também deveria ir. Mas dão o exemplo, permanecem, sugam....
O que distingue uma época económica de outra, é menos o que se produziu do que a forma de o produzir, Karl Marx
(1) Não me esqueci: sabem porque estas coisas não podem vender os seus bens, para compensar os seus gastos ? Simples a resposta, já não os têm ( porque hipotecados, alguns com dupla hipoteca ou mais, acima do seu valor real ) ou então dão nas suas contas, por exemplo a uma casa que têm e que vale ...quase zero, um valor de 1 000 000 € ou mais. É tudo engenho e arte: lá está a teoria de que falava: A lei ou teoria económica das Bermudas, em senso comum a teoria da folha de Excel

Mas se dão prejuízo porque não fecha o GR estas ....coisas?. Por três razões:
1) se fecharem, tem o GR de pagar à banca ( porque deu garantias reais nos empréstimos )
2) porque não tem dinheiro para as fechar ( fica mais "barato" continuarem, chama-se a isto a lei do empurra com a barriga )
3) para colocar os imprestáveis, aqueles que nada fizeram/fazem, mas que ajudam a baixar a taxa de desemprego da Região e ganhar as eleições.
A economia é extremamente útil como forma de emprego para os economistas, John Galbraith
Agora o todo.( continua daqui a 4 dias )

Dire Straits, Money for nothing, para acabar em beleza esta primeira lição de economês sumidês

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