Contra fogo ou fogo amigo?


Estamos com pouco tempo útil para debater de forma séria as Regionais. Daqui até Setembro residem as férias de Verão, o pleno gozo de um tempo de abstracção, de mudança de hábitos e do desinteresse do que nos enche e cansa nos outros dias.

A política é com certeza um parente pobre mas provoca-se para que seja ainda mais. Tudo começa tarde porque o "enchido da política" actual aguenta-se por pouco tempo e cansa. É como as companhias de cruzeiros pequenos, de 3 a 4 dias, é o tempo em que podem aguentar passageiros a bordo sem rotinas, logo gastam pouco para manter o passageiro entretido por variedade e quantidade. Com partidos e políticos vazios quanto menos tempo melhor, aproveitando o tempo de muita festa e convívios ... mas não vamos eleger festeiros para a paróquia. Tudo isto prova que os políticos não debatem o que interessa ao eleitorado, de propósito, para evitar que no momento da decisão observemos a nulidade de muitos candidatos. É assim que se constrói e se permite, por exemplo, os últimos 4 anos de Grupo Para Lamentar do PSD-M, com garotos e "imperialistas" eleitos na sombra.

Interessa, sobretudo ao PSD-M, falar de absolutamente nada sobre os destinos da Madeira porque é a zona de debate onde, se for sério e no osso, perde. Por esta razão está insistentemente, como sempre, a falar sobre os outros. Consegue condicionar e acantonar o debate onde quer, nas ideias que possam surgir dos outros, ridicularizando mas não dizendo as suas; tornando falhas pueris em grandes desastres para ocultar as falhas das suas políticas na Saúde, nos transportes/ mobilidade, no custo de vida, na demografia, na dívida astronómica, na pobreza, no exagero fiscal, etc.

Não há qualquer partido da oposição capaz de quebrar com esta agenda que, mais uma vez, vai fazer o PSD-M rir de todos, metendo imenso ruído sem compromissos onde até a sua pandilha de idiotas servem bem os propósitos, a melhor maneira de se ganhar o poder e Governar para as elites.

O PSD-M sabe que descendo o nível do debate permite a entrada de todos, o que implica ocupar o tempo com muita asneira. Desculpem a sinceridade. Se já chegamos ao ponto de debater Europa sem a presença das principais candidatas (em programa dedicado para o efeito na RTP-M), em plena campanha para as Europeias, o PSD-M vai conseguir passar toda a campanha sem focos sobre a pessoa que gerou compromissos só para ganhar eleições em 2015 mas não para concretizar, que mais mentiu, culpou, ostracizou e perseguiu, que não tinha programa de Governo e andou a improvisar numa gestão corrente, logo errante.

Os partidos mais pequenos mostram a sua pequenez e limitam a sua votação em Setembro ao olhar e combater para o lado. Fazem um favor ao PSD-M de se entreterem com a oposição numa abstracção em vez de atacar factos da Governação e como fazer melhor. O PSD-M sabe que não resistem porque é-lhes mais acessível essa função do que produzir ideias para governar, coisa para a qual não estão preparados e não querem arriscar. É mais fácil plantar bananeiras em buracos ou fazer tiradas de esperteza. É mais fácil pegar nos jornais e ir na corrente das notícias, já de si uma agenda colocada a correr pelo PSD-M.

A pequena oposição luta contra a carne da sua carne, pensando que é no retirar de votos ao lado que está o seu sucesso. Nada mais errado. O sucesso está em fazer o eleitor acreditar que podem trazer uma mais valia no Parlamento em seu favor. Mais uma vez, os partidos pequenos não geram compromissos para isso.

Está claro que a abstenção é fruto do descrédito da Política e dos Políticos, tal como também está claro que a discussão do tipo bairro, a ver quem tem mais culpas ou falhas, não seduz o eleitorado, são tricas partidárias longe do que o eleitorado procura.

Tudo isto se repete vezes sem conta, eleger pessoas a propósito de nada por aquelas que ainda vão votar. É pena que as eleições não tenham elevação no debate, nas ideias, nos desígnios e nos instintos de que estão para servir a população em geral e não numa disputa para sucesso pessoal ou partidário. Ninguém percebe que servindo o eleitor atinge também essas duas metas inferiores.
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