Matar a fome, com vergonha

Eliminar a fome e má nutrição não é um assunto específico dos países em desenvolvimento. Nos países desenvolvidos a fome atinge mais de 12% da população enquanto a média global relativa aos nossos concidadãos atingidos pela vergonha da fome e má nutrição se revela ligeiramente inferior. No entanto, fala-se de fome e de desperdício alimentar como se cada um destes temas fosse exclusivo em relação a geografias macroeconómicas. Uma enorme nuvem de ideias erradas disfarça a incompetência, falta de vontade e hipocrisia tão típicas nos assuntos da agenda internacional do desenvolvimento. É verdade que em certas latitudes as condições de vida fazem exacerbar os impactos ou diminuir as capacidades de enfrentar as causas da fome, mas, também é certo que, muitas delas, ultrapassam as possibilidades e boas vontades que se possam reunir.

Não há como explicar o paradoxo associado à agricultura que, sendo o sector que mais emprego gera a nível planetário, aceite que 500 milhões de agricultores não consigam prever ou ter acesso a informação adequada sobre a disponibilidade de água para sua atividade. Em pleno século XXI, 80% da produção agrícola mundial depende da chuva e os agricultores não dispõem de informação adequada e atempada para suportar as suas produções, defender-se das situações meteorológicas extremas ou das tendências associadas às alterações climáticas. As perdas na produção e as associadas ao desperdício do que se produz e processa são mais que suficientes para matar a fome neste planeta, quer aos 815 milhões que já a sentem quer aos mais de 2 biliões que a eles se juntarão até 2050. Haja vergonha e a fome morre.

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