A antinomia das autonomias


Com alguma frequência, instala-se uma troca de opiniões sobre a dialética que envolve o assunto em epígrafe, curiosamente (ou, se calhar, nem tanto) mais com a esquerda (alguma dela disfarçada) que com a direita…

AUTONOMIA! AUTONOMIA!

Abrem a boca com a palavra, mesmo sem saberem muito bem o que quer dizer e o que se pretende/ia com a sua prática (o que pretendem sabem eles bem, pois é para a defesa dos seus próprios interesses, e o ‘povo’ que se lixe…).

No pós-25 de Abril, foi esta a ‘bandeira’, mais do que a das setinhas, que fez cegar os olhos a quem via os proveitos de uma vida de trabalho e de sacrifício irem parar sempre aos cofres alheios.

Gorado que foi o arroubo inconsequente da independência – que permitiu (e ainda permite) os maiores desmandos por parte de alguns que (quase) todos sabem quem são, e que continuam a pavonear-se pelos ‘mentideiros’ da ilha, em vez de pagarem pelos crimes que cometeram –, a auto-recém-criada elite política percebeu que a Madeira era uma ‘mina’ pronta a ser explorada… por eles, ávidos!

Não é preciso mergulhar nos livros de História (muito menos nos encomendados pelo ‘aparelho’) para perceber o que se passou (e ainda passa) nos últimos 44/45 anos na Madeira. Basta ir aos arquivos disponíveis e ver/ler o percurso de algumas figurinhas pretensamente notáveis da Região: quem cria cabritos e cabras não tem, de algum lado lhe vem!!!

AUTONOMIA! AUTONOMIA!

Regularmente, ouvem-se os gritos histéricos de uns quantos ‘apparatchiki’, e de alguns outros que servem de caixa de ressonância, principalmente em épocas de ‘vacas magras’, quando a teta não dá para todos.

Infelizmente, há outros que, embora com intentos diversos, seguem a mesma cartilha, talvez pensando que o nobre objectivo deve ser prosseguido, não obstante estar a ser deturpado, corrompido, descaracterizado…

Parecem não se aperceber que, ‘à sombra’ das reivindicações, se passeiam interesses mais ou menos obscuros, mas todos com o mesmo interesse e objectivo: locupletarem-se mais e mais, não olhando a meios nem a formas.

Um território desde muito cedo entregue aos ingleses passou a ser também sugado por uma turba de poucas dúzias que ‘saca’ o mais possível e de todas as maneiras e feitios.

AUTONOMIA! AUTONOMIA!

Gritam enraivecidos, e entretanto ficam à espera, exigem mesmo!, que o Estado pague os desmandos de uns quantos, que se repetem (os desmandos e os quantos) ciclicamente.
A coberto de válidas pretensões, tudo vem por arrasto, como se os prevaricadores tivessem ficado totalmente isentados de responsabilidades e, como a um filho traquina, tudo lhes fosse perdoado.

Um filho a quem se dá uma mesada, sem qualquer controlo de como a gasta, e que pede sempre mais e mais, e que quando não tem endivida-se noutro lado, à espera que o progenitor pague.

Um filho que tem as suas próprias fontes de rendimento, que não presta contas delas, que está sempre de mão estendida a pedir complementos e que faz birra e se enfurece quando não os recebe…

AUTONOMIA! AUTONOMIA!

Foi palavra de ordem durante diversos anos e perante várias situações, principalmente quando convinha acicatar os ânimos dos ilhéus contra os continentais, mais que não fosse para mascarar as trafulhices que por cá se montavam (e se montam, de novo).

Uns, néscios, seguem o ‘chefe’ e abanam alegremente a cabeça a cada arroto seu; outros, querendo chegar a ‘chefe’, fazem por ignorar a estultícia e mantêm vivo o argumento tolo, pois nunca se sabe quando será de novo útil…


E ainda existem uns terceiros, pendentes de vários poderes, escravos de múltiplas vontades, que se arvoram em personalidades isentas, equidistandes (pela impossibilidade do vazio que alegremente apregoam) de ideologias e ideários, mas que mais não são do que reflexo do poder instituído e suas marionetas.

E depois, os cubanos, os que lá estão e os que vivem cá (certamente pelo favor de algumas mentes iluminadas e generosas), é que não percebem nada desta merda e querem é o mal dos insulares…

(Também) por isso, aqui fica:

Significado de autonomia
n.f.

1. Circunstância ou característica de autónomo; liberdade, emancipação ou independência;
2. Capacidade ou mestria para controlar a sua própria vida, usando os seus próprios recursos, desejos e/ou princípios;
3. Garantia ou permissão atribuída a um país de se governar seguindo a sua própria legislação e as suas normas;
4. Designação atribuída ao direito ao livre arbítrio (liberdade de escolha) - que permite ao indivíduo estar preparado ou habilitado para tomar suas próprias decisões;
5. Designação atribuída à longitude que um veículo movido a motor é capaz de percorrer, usando o consumo absoluto do combustível que possui e sem ter de reabastecer no caminho;
6. Período de tempo durante o qual uma bateria é capaz de abastecer (um equipamento) de energia, sem apresentar necessidade de ser recarregada.
7. (Filosofia: Kant) Habilidade atribuída ao ser humano de se autogovernar seguindo os próprias normas e paradigmas de conduta moral, sem que se verifique a interferência de visões ou fenómenos exteriores (emoções, repressões, entre outros).
(Etm. do grego: autonomía; pelo francês: autonomie)

Já agora:

Significado de antinomia
n.f.

1. (Filosofia) na tradição cética ou em doutrinas influenciadas pelo ceticismo, tal como o kantismo, contradição entre duas proposições filosóficas igualmente críveis, lógicas ou coerentes, mas que chegam a conclusões diametralmente opostas, demonstrando os limites cognitivos ou as contradições inerentes ao intelecto humano.
2. (Por extensão) contradição entre quaisquer princípios, doutrinas ou prescrições.
3. (Por extensão) posição ou disposição totalmente contrária; oposição.
4. (Jurídico – termo) contradição real ou aparente entre leis, ou entre disposições de uma mesma lei, o que dificulta sua interpretação.
(Etim. gr. antinomia 'id.', pelo lat. antinomĭa, ae 'id.')
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