Madeira: tempo de Revolução

O Estado Novo foi o regime político autoritário, autocrata e corporativista de Estado que vigorou em Portugal durante 41 anos sem interrupção, desde a aprovação da Constituição de 1933 até ao seu derrube pela Revolução de 25 de Abril de 1974.
Na altura do 25 de Abril, pela Madeira, a informação chegava atrasada, eram outros tempos. Fomos tomando conta às pinguinhas e creio que isso afectou o nosso sentido crítico com a política. Para cada "deixa andar" surge uma ferroada mais forte ao estilo "ai aguenta ... aguenta". Daqui nasce a impunidade e se olharmos bem para a definição curta de Estado Novo lemos "autoritário, autocrata e corporativista". Se formos mais longe e alterarmos Estado Novo para Madeira Nova, e não ligarmos às datas, aposto que assenta como uma luva. Só há uma grande diferença, no nosso caso dizem que estamos em democracia e num estado de direito, o que revela um engenho tremendo e uma passividade de ficar incrédulo. Quanto medo, situação também associada às ditaduras. 

O PSD-M está no poder regional pela mesma idade da Autonomia, oficialmente registada a 30 de Abril de 1976, o que lhe confere mais permanência no poder do que a ditadura no Estado Novo e, todos os dias, fala como se tivesse ficha limpa e a pureza do primeiro dia.

Pela insondável cabeça de todos os madeirenses reside uma pequena pergunta que ninguém quer obter resposta, para não sofrer as consequências ... já. O que vamos descobrir sobre este regime quando cair? Naturalmente associada a outra pergunta proibida, que consequências de aí virão? É quase uma falsa questão por indicadores claros da nossa vivência diária. Sobretudo a proibida de se saber ou falar sem provas, o grande trunfo de quem prevarica mas esconde.

Diariamente, ocorrem formas de atrocidade que nos chamam de jumentos e nos conseguem remeter ao silêncio derivado das "actuações exemplo" para desencorajar a plebe. Normalmente, assumem-se como tentativas de aniquilar quem defende a causa pública, vistas no funcionamento da Saúde, nas perseguições da Educação, nos abusos dos dinheiros públicos e comunitários, etc, sempre por base o compadrio à volta do Poder Regional. Nunca se viu uma condenação mas durante o Estado Novo também não. Se houve momento em que tudo acelerou, sem pudor, nestes e noutros casos, foi neste mandato. As cópias foram ruins. Vimos de tudo. Está no embevecimento com o poder e na sensação de impunidade a base da actuação. Até as instituições fiscalizadoras e punitivas têm medo e o cidadão comum vê-se atado como no Estado Novo. Se alguém sequer observar é ameaçado com a Justiça, o que para muitos é algo cómico.

As atrocidades sobre as pessoas levam-nas à decadência e ao desprezo e estas provocam reacções onde a Justiça, tendo faltado à génese do problema, castiga de novo os fracos.

Pelos nossos dias ocorreu um episódio que, quando visto sem medo da autocracia e com o necessário distanciamento temporal, será narrado assim ...

Miguel Albuquerque, estando longe e a gozar umas merecidas férias antes das Regionais, só pode ter sido mal informado por um gabinete lambe-botas e, talvez pela sua situação, mais clara para ele e menos explícita para nós no contexto político-partidário, afrouxou na calmaria de que tudo está "controlado". Mais um.

Uma situação caracterizada por um autocarro acidentado, 29 mortos, turismo motor da economia e notícia à escala mundial, só tem uma leitura. A do regresso. Tal como qualquer Chefe de Estado o faz em momentos extremos, mesmo estando a decorrer Visitas de Estado. Temos tido exemplos vários, quando estes também têm Vices e outras linhas de comando. Fica a lição para ele e os vindouros. Os cargos implicam sacrifícios e não só benesses.

A situação confirmou-nos que Miguel Albuquerque vive mal informado, alheado ou convencido, o charme e as tiradas não são suficientes, sobretudo algumas atiradas ao ar sem fundamento e que ferem os que aqui estiveram. No contexto do acidente, quem "fez show-off"? "fotografias" de facto houve mas não no seu sentido pejorativo de aproveitamento político. Quem teve a responsabilidade de assegurar aos cidadãos um bom funcionamento dos serviços? Albuquerque foi recebido com condescendência e não sabe aproveitar, muitos irritados ficaram-se pelo humor, ele ataca não tendo argumentos nem moral.

O Presidente do Governo está em fuga para a frente. É impossível justificar com falta de lugares ou de ligações desde o Dubai, pode até pegar com os leigos mas quem conhece minimamente o mundo, é um abuso. 2018, Aeroporto do Dubai (DXB): o mais movimento do mundo em passageiros internacionais ao nível das ligações aéreas (ligações à Europa e desde aí directo para o Funchal ou por Lisboa, também servida). Nem me atrevo a sugerir o Falcon do senhor Presidente da República, sempre online, pelo estado das relações promovidas desde o congresso do PSD-M e porque depois estiveram de prontidão para os acidentados.

Quanto a sua habitual boca "para a fotografia", ela é exactamente a base estratégica para a sua tentativa de "renovação de imagem da Renovação", mais dócil e humana. Foi justamente com fotografias nas redes sociais que tentou vingar uma nova interpretação para a imagem que resulta da Governação. Arranjou fotógrafos e não políticos e a estratégia não teve efeito, até porque paralelamente não altera as razões da sua falta de crédito. Pode não reconhecer mas, a Miguel Albuquerque faz falta, nesta hora, todas as sombras que abateu pensando que ia criar um novo povo e seguidores à sua imagem e semelhança. Adoradores ou "adornadores". Trocou uva por parra.

Miguel Albuquerque teve um mandato pautado por ouvir conselheiros duvidosos, todos eles bem colocados mas ele mal servido. Miguel Albuquerque está autista, segue o caminho errado por convencimento próprio e porque está mal assessorado. Só a verdade pode imperar numa governação de sucesso, se cada um da equipa zela pelo emprego e pretende cair em graça, está a prestar um mau serviço. Pela importância destes lugares, não podem estar pessoas com a mente cravada com instintos  de sobrevivência por só terem aquela opção de emprego, de grupos ou outras limitações. Foi Miguel Albuquerque que escolheu a bajulação em vez de palavras duras mas sãs que o podiam corrigir em tempo oportuno. É altura de recordar como tudo foi em tempos na JSD-M. Com poder seguiu os seus instintos naturais e errantes, foi como desejou e consciente dos seus objectivos. Por esta razão e por iludir, magoar e vilipendiar que perdeu uma máquina e isso tem custos. A retribuição com a mesma indiferença. Destruiu uma escola e em troca trouxe o caos de novatos apalermados, todos investidos de importância e a corroer com iniciativas isoladas. Visam os seus egos e interesses mas não o sucesso global do PSD-M.

Quem obstinadamente não uniu o PSD-M foi Miguel Albuquerque e agora tem uma série de figurinhas da Renovação sem qualquer crédito para encarar as eleições, uma Opinião Pública irritada e um partido desfeito. Miguel Albuquerque introduziu o escaravelho no seu pretenso oásis e já poucas palmeiras restam para lhe dar guarida e ganhar consciência de que vai ter que atravessar o deserto. O oásis, mesmo depois da sua era, continuará enfermo durante muito tempo e sem viabilidade, a menos que do outro lado a fome também mate.

Politicamente, é melhor entregar a alma ao criador, está demasiado fragilizado para Setembro. O instinto sancionatório ao PSD-M é maior do que a lucidez para interpretar o adversário, até porque esconde o jogo que vai produzir uma Renovação 2 usando, como sempre, os instintos primários on/off do povo.
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