O Natal dos terroristas

"Christmas terrorism" por  Osvaldo Gutierrez Gomez

Quem faz crescer a revolta das pessoas e que degenera em acções extremistas são estes bandos de situacionistas que "andam por aí" sempre perto ou no poder, formados em cinismo e na falta de regras mas que sabem interpretar o papel de moralistas de esgoto, em qualquer ambiente.

Acham-se "special ones" acima da lei, das regras, da verdadeira moralidade e da justa interpretação dos bons exemplos do Natal. Desconhecem o que é a vida comum e actuam ou governam sempre com a maldade por acharem que,  mais uma vez, os "pobres" aguentam sempre para que atinjam os seus nobres objectivos de se manterem poderosos e intocáveis.

Desses que, por esta altura, vêm com a caridadezinha ... que bem que fica por breves dias. O seu Natal é todo o ano, para os outros é um momento de aproveitamento que consta num currículo imaculado nalguma forma de poder. Caridade sim, condições para ser independente não, importa  manter este status quo predatório. De uns de sucesso com os pés sobre os outros a suplicar, a suportar a injustiça, a aturar por necessidade de migalhas.

Está visto que Natal terrorista é isto bem perto de nós, com esses que não são exemplo na vida privada mas que escolhem a pública para gerir o dinheiro e a vida dos outros. Esses que escolhem sempre os atalhos para deixar os direitos da plebe para trás porque só querem saber de um bom ordenado ... fingindo que valem alguma coisa. Chegam ao Natal com as tradicionais palavras de harmonia depois de passar o ano a trabalhar para o lobismo e os ricos, dilapidando a riqueza de todos e sonegando os direitos, até por falta de retorno dos impostos pagos em benefício do Natal de todo o ano para alguns.

Esses que a vida foi sempre a subir com os pais a dar graxa nos professores da privada, os meninos sempre em birras e apaparicados que não sabem ouvir não, esses dos copos e das noites com uma escola que até ensina a usar as armas da horizontal. Esses que contagiam ambientes dizendo mal deste e daquele e que, por artes e graças, são os eleitos por entre líderes da mesma categoria. Esses que minam os ambientes de trabalho e que até a dedicação dos outros resulta na promoção deles. Que parecem os teus melhores amigos mas que falam mal pelas costas e até inventam porque os objectivos e a ambição não têm amigos para respeitar. Esses que a proximidade tem muito a ver com o que tu podes dar ou em quê podes ser útil mas que quando cais no infortúnio desaparecem enquanto coleccionadores de poder.

Esses intermitentes que te falam muito queridos, quando precisam algo de ti, mas que te ignoram no resto do tempo porque se misturar contigo é pertencer ao insucesso e, isso fica mal perante a classe estabelecida na podridão da promiscuidade de sucesso. Gente sã é lepra para alguns circuitos. Só perdoariam, até a lepra, se trouxesse mais um benefício à classe que é dominante porque actua "santa" sem regras.

Para todos estes fingidos do Natal, de todo o ano, chegou a altura em que até acendem luzes, velinhas e lamparinas, montam o pinheiro e o presépio ... porque fica bem. Estão em todos os eventos festivos, de preferência na linha da frente. Têm um incrível espírito de ir a todas as Missas do Parto porque tem farra mas, a mensagem de Cristo pouco interessa e não passam do adro. É lá que está o que interessa, estão as vítimas, a poncha e a comunicação social. Só com a sua presença, mais uma vez, os bons enojam e afastam-se, ficam em silêncio porque não suportam a maldade de véu e grinalda que se apresenta em "pureza", sempre no oportunismo de se manter popular e levar o melhor de todos os mundos. Por entre os terroristas do Natal mais refinados, há alguns que sem pudor sobem ao púlpito e lêem a epístola. Palavra do Senhor, ámen.

Depois de muito prevaricar, totalmente gastos e descobertos nesta malvada vida podre, enquanto no mesmo tempo os outros já se desterraram na injustiça, alguma vez com doença associada por tanto sofrerem, estes bravos oportunistas são do tipo não é para mim ... não é para ninguém. Encetam a perseguição, reforçam o maldizer, fazem jogo duplo, triplo, quadruplo, o que for necessário para atingir a terra queimada. Fazem telefonemas anónimos com ameaças, fazem perfis falsos para ter uma nova comunidade quando a verdadeira já tudo rejeita, vale tudo para meter medo e inverter a má onda, angariam ainda mais iguais a eles para aumentar a dose. Isto parece não ter fim.

É assim como uma época bonita de nascimento (ou renascimento) se converte num calvário para outros convertendo-se em mais uma Páscoa de penitência. Não bastava serem dos injustiçados agora ainda têm que participar nesta alegria promiscua dos oportunismos do Natal, verdadeiros terroristas.


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