Embirrei com o "pógresso"


Olha, também eu embirrei. É o "pógresso". Não temos qualquer Metro, nem subterrâneo nem de superfície mas temos um camião que transporta "postas de pescada" dentro da ribeira que, como bem sabem, são "bocas" em forma de grafite. É memorável anunciar o primeiro.

Copiamos tudo o que não interessa, para perder o que nos é genuíno. Trocar ribeiras de basalto e buganvílias por betão reluzente a tornar a cidade mais quente foi negócio da China mas, não para contribuintes ou munícipes. É a vida, todos pensam nela, uns com o seu ganha pão outros com seu filão. Toda a cadeia de organismos feitos para fiscalizar afinal mostram-se feitos para dar emprego, na hora da verdade falham por subserviência, espero que um dia essa "cadeia" evolua, por limpeza ou condenação. Porque só levam dinheiro sem consequência útil. Começa a ser um problema inventar lugares para meter betão, tomara a criatividade estivesse aplicada a bem do povo.

As ribeiras rendem, de rendas, tempo é dinheiro, tudo demora e rende. A de João Gomes parece um museu a céu a aberto sobre o 20 de Fevereiro. A de Santa Luzia ainda mata a mobilidade em conluio com uma câmara que também já enferma da convicção na asneira. Todas aquelas vigas de betão, a segurar não sei o quê quando o basalto fazia por menos, vistas do céu parecem o DNA do PSD-Madeira. A de São João tem um "S" que vai dar um nó assim que cheguem os entulhos de porte. Apesar desse azar, vai atenuar a água que pode entrar mais abaixo pelos ventiladores naturais abertos nas paredes da ribeira para o estacionamento não gastar dinheiro com a exaustão. Como quase todos os estacionamentos do Funchal, os ventiladores somos nós com os pulmões e mais um organismo cego ainda nos multam os órgãos por não dar vazão.

E voltamos ao grafite. Alguns menos atentos diziam que era um autocarro chegado à paragem mas se repararem bem é um camião de peixe a mandar "postas de pescada". Pena não ter uma corneta a anunciar, desses que vendem de tudo pelas áreas habitacionais. Estou ansioso por ver mais grafites e os turistas a tirar fotos, porque não uma nova série de postais. Só receio o cartaz de aluga-se atirado à ribeira, pode dar ideias a alguém para abafar com mais betão porque davam uns excelentes estacionamentos. Os interesses movem montanhas, as ribeiras são amendoins.

Um dia, a natureza embravece, limpa grafites e anfíbios para restabelecer a ordem natural das coisas. Agora, não sei se a água vem de cima para baixo ou se de baixo para cima. Isto anda tudo virado do avesso.

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