O cair da folha...


Hoje afirmo que é Inverno porque chove, está frio e a luz é nenhuma. A Natureza quase porta pela seca, anima-se, respira e cresce sob a impiedosa água que a submete. Olho-a, encarcero-me na periferia dos pensamentos sabendo que o sol será fugaz, amanhã ou depois e que o tempo corre, corre mais do que eu.

Ontem fiz doce de amora e o cheiro do fruto maduro e tardio levou-me, como sempre que faço doce, à casa paterna. É nas estações mais frias que nos revisitamos e, agasalhados por dentro e por fora, enfrentamos o espasmo da mudança dos tempos.

A Natureza muda para tons achocolatados que não ferem a vista. Não tardará mudamos a hora aos relógios, mudamos a hora da cama, das refeições, do gasto eléctrico e, vendo bem, quase nada muda no rame-rame diário!

Só mudará no Funchal a velha ponte D. Manuel, datada de 1820 e já classificada, com mais um projecto assassino ao património da capital da Madeira por alucinados destruidores.
Quando acordará, quando mudará este povo, tendo pela frente este constante desperdício de dinheirama e atentado à história do Funchal?

Maria Teresa Góis

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